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Aviação Executiva· 29 de junho de 2026

Trump fará 1º voo no 'Air Force One' doado pelo Catar nesta quarta (1º/jul), rumo à Dakota do Norte

Casa Branca confirma a estreia do presidente no Boeing 747-8 catari avaliado em US$ 400 milhões, que servirá como 'ponte' até a Boeing entregar os novos VC-25B.

Trump fará 1º voo no 'Air Force One' doado pelo Catar nesta quarta (1º/jul), rumo à Dakota do Norte

A Casa Branca confirmou que o presidente Donald Trump fará nesta quarta-feira (1º de julho) seu primeiro voo no Boeing 747-8 doado pelo Catar — o jumbo que servirá temporariamente como "Air Force One" — em viagem à Dakota do Norte, onde participará da inauguração da Biblioteca Presidencial Theodore Roosevelt, parte das comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos. O anúncio foi feito em 26 de junho.

Vale uma explicação que muita gente não sabe: "Air Force One" não é o nome de um avião, e sim o indicativo de chamada (call sign) de qualquer aeronave da Força Aérea dos EUA com o presidente a bordo. Hoje a missão é cumprida por dois VC-25A — versões militares do antigo 747-200, em serviço desde 1990. O 747-8 catari entra agora como "ponte" (bridge) até a chegada dos jatos definitivos.

E não é um avião qualquer. Trata-se de um ex-jato VVIP (very, very important person — o transporte de chefes de Estado e da realeza) da Qatar Amiri Flight, a frota oficial do governo catari, que voou pela primeira vez em 2012 com a matrícula A7-HBJ. Doado aos EUA em maio de 2025 e avaliado em cerca de US$ 400 milhões, recebeu a designação militar VC-25B Bridge e a matrícula 25-3300. Foi apresentado oficialmente em 19 de junho, na Base Conjunta Andrews.

A doação, porém, é cercada de polêmica. Por ser um presente de governo estrangeiro a um presidente em exercício, levanta questões éticas e de segurança nacional — e o jato precisou ser desmontado "do nariz à cauda" em busca de grampos e dispositivos de escuta, depois refeito com blindagem, comunicações criptografadas e sistemas militares de defesa. O custo dessa conversão é disputado: o secretário da Força Aérea, Troy Meink, falou em "menos de US$ 400 milhões", mas reportagens estimam algo próximo de US$ 1 bilhão, parte supostamente diluída em outro programa militar. Ao deixar o cargo, Trump pretende destinar a aeronave à sua biblioteca presidencial.

O improviso existe porque o programa oficial atrasou. A Boeing tem contrato de preço fixo (cerca de US$ 3,9 bilhões) para converter dois 747-8 nos definitivos VC-25B, mas as entregas — antes previstas para 2024 — escorregaram para por volta de 2028, com relatos recentes apontando 2029. Até lá, o jumbo catari cobre a lacuna ao lado dos VC-25A, que já passam dos 30 anos de uso.

Trump tem defendido o presente publicamente. "Ninguém supera este aqui, e é assim que temos de ter para o nosso país. Ninguém chega nem perto", disse o presidente sobre a aeronave, que classificou como "a maior e a melhor em todos os aspectos".

Fonte: Bloomberg e Simple Flying.