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Aviação Militar· 24 de agosto de 2026

Portugal reconhece interesse público em linha do Super Tucano em Beja

Conselho de Ministros português reconheceu interesse público na instalação de uma linha de montagem do A-29N em Beja, passo que pode abrir caminho a vendas europeias.

O Conselho de Ministros de Portugal reconheceu, em 20 de agosto de 2026, o interesse público nacional na instalação de uma linha de montagem final do A-29N Super Tucano na Base Aérea N.º 11, em Beja. A decisão avança um projeto que vem sendo desenvolvido desde dezembro de 2025 em parceria entre o Ministério da Defesa português e a Embraer, fabricante brasileira da aeronave.

A futura linha em Beja não vai produzir os 12 aviões já comprados pela Força Aérea Portuguesa. Esses seguem sendo fabricados no Brasil, com participação portuguesa na adaptação e configuração conforme exigências do país e da OTAN. Os primeiros cinco já foram entregues, em dezembro de 2025, e a Esquadra 101 "Roncos" treina com o A-29N desde fevereiro de 2026.

Na prática, o que muda agora é o reconhecimento formal de que o projeto tem interesse público nacional, passo que precede definições sobre capacidade produtiva, investimento e número de empregados, ainda em aberto. A previsão inicial indicava conclusão do projeto ainda em 2026, com adaptação de infraestrutura já identificada na Base Aérea de Beja.

O objetivo declarado da nova linha é preparar Portugal para atender encomendas futuras, especialmente de países europeus membros da OTAN, oferecendo uma aeronave produzida em solo europeu. Isso pode facilitar negociações governamentais e responder ao interesse crescente pelo A-29N para missões de combate e de interceptação de drones, o chamado counter-UAS, termo em inglês para as ações de defesa contra sistemas aéreos não tripulados (drones), demanda que tem se intensificado na Europa.

Holanda, Polônia e Letônia já manifestaram interesse no A-29N, principalmente para tarefas de defesa contra drones, embora nenhum contrato tenha sido formalizado até o momento. A linha de montagem portuguesa está sendo estruturada antes mesmo de existir uma carteira de pedidos europeia consolidada.

Além da montagem, o projeto pode ainda gerar um ecossistema de manutenção, treinamento, integração de sistemas e suporte logístico, aproveitando a presença da Embraer em Portugal, onde a empresa mantém participação na OGMA e estrutura ligada ao programa KC-390 Millennium.

A estratégia da Embraer é transformar o A-29N em uma plataforma europeia de referência, alinhada às necessidades da OTAN e capaz de ampliar a presença brasileira na indústria de defesa do continente, especialmente diante do aumento do uso de drones em conflitos recentes.

Se a linha de Beja se concretizar, o Super Tucano deixa de ser apenas um avião brasileiro exportado e passa a ser também uma aeronave produzida em solo europeu, o que reforça a integração industrial e comercial entre Brasil e Europa na área de defesa.

Fontes: Cavok Brasil · AEROIN