Portugal reconhece interesse público em linha do Super Tucano em Beja
Conselho de Ministros português reconheceu interesse público na instalação de uma linha de montagem do A-29N em Beja, passo que pode abrir caminho a vendas europeias.
O Conselho de Ministros de Portugal reconheceu, em 20 de agosto de 2026, o interesse público nacional na instalação de uma linha de montagem final do A-29N Super Tucano na Base Aérea N.º 11, em Beja. A decisão avança um projeto que vem sendo desenvolvido desde dezembro de 2025 em parceria entre o Ministério da Defesa português e a Embraer, fabricante brasileira da aeronave.
A futura linha em Beja não vai produzir os 12 aviões já comprados pela Força Aérea Portuguesa. Esses seguem sendo fabricados no Brasil, com participação portuguesa na adaptação e configuração conforme exigências do país e da OTAN. Os primeiros cinco já foram entregues, em dezembro de 2025, e a Esquadra 101 "Roncos" treina com o A-29N desde fevereiro de 2026.
Na prática, o que muda agora é o reconhecimento formal de que o projeto tem interesse público nacional, passo que precede definições sobre capacidade produtiva, investimento e número de empregados, ainda em aberto. A previsão inicial indicava conclusão do projeto ainda em 2026, com adaptação de infraestrutura já identificada na Base Aérea de Beja.
O objetivo declarado da nova linha é preparar Portugal para atender encomendas futuras, especialmente de países europeus membros da OTAN, oferecendo uma aeronave produzida em solo europeu. Isso pode facilitar negociações governamentais e responder ao interesse crescente pelo A-29N para missões de combate e de interceptação de drones, o chamado counter-UAS, termo em inglês para as ações de defesa contra sistemas aéreos não tripulados (drones), demanda que tem se intensificado na Europa.
Holanda, Polônia e Letônia já manifestaram interesse no A-29N, principalmente para tarefas de defesa contra drones, embora nenhum contrato tenha sido formalizado até o momento. A linha de montagem portuguesa está sendo estruturada antes mesmo de existir uma carteira de pedidos europeia consolidada.
Além da montagem, o projeto pode ainda gerar um ecossistema de manutenção, treinamento, integração de sistemas e suporte logístico, aproveitando a presença da Embraer em Portugal, onde a empresa mantém participação na OGMA e estrutura ligada ao programa KC-390 Millennium.
A estratégia da Embraer é transformar o A-29N em uma plataforma europeia de referência, alinhada às necessidades da OTAN e capaz de ampliar a presença brasileira na indústria de defesa do continente, especialmente diante do aumento do uso de drones em conflitos recentes.
Se a linha de Beja se concretizar, o Super Tucano deixa de ser apenas um avião brasileiro exportado e passa a ser também uma aeronave produzida em solo europeu, o que reforça a integração industrial e comercial entre Brasil e Europa na área de defesa.
Fontes: Cavok Brasil · AEROIN