PF encaminha dados do acidente da Voepass a núcleo anticorrupção do MPF
Parte do inquérito sobre o voo 2283 foi ao núcleo anticorrupção do MPF, que deverá avaliar a fiscalização da ANAC sobre a Voepass.
Parte dos dados da investigação da Polícia Federal sobre o acidente do voo 2283 da Voepass foi encaminhada ao Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal (MPF), em medida autorizada pela Justiça Federal. A medida permitirá a análise de possíveis irregularidades relacionadas à atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) na fiscalização da companhia aérea, segundo apurou a AEROIN.
O processo tramita sob sigilo no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Em comunicado enviado à TV Bandeirantes, o TRF3 — onde o processo tramita sob sigilo — informou que uma decisão judicial autorizou a divulgação de parte dos elementos da investigação diretamente pela autoridade policial. O compartilhamento ocorreu a pedido do delegado responsável pelo inquérito.
A Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283 tomou conhecimento do fato na reunião de apresentação das conclusões do relatório final da PF, realizada no início de agosto, segundo a AEROIN.
De acordo com Thalles Andrade, advogado da associação, os familiares foram informados de que informações obtidas durante o inquérito seriam enviadas ao Núcleo de Combate à Corrupção do MPF. Cabe agora ao órgão avaliar o material recebido e verificar se há necessidade de adotar eventuais providências.
Em razão do segredo de Justiça, a associação afirma que não pode comentar o teor das decisões judiciais relacionadas ao processo. O próprio encaminhamento, porém, segundo o advogado, foi comunicado pela Polícia Federal durante a apresentação das conclusões da investigação.
O acidente ocorreu em agosto de 2024, quando o voo 2283, operado por uma aeronave da Voepass, caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, matando as 62 pessoas que estavam a bordo. O Relatório Final do CENIPA apontou falha dos pilotos e cultura contra a segurança de voo na companhia aérea. Já a Polícia Federal indiciou 16 pessoas, entre elas pilotos e o dono da Voepass.
Com o encaminhamento ao MPF, a investigação sobre o acidente ganha uma camada adicional: o caso poderá passar a examinar também se a fiscalização exercida pelo próprio regulador do setor foi adequada, a depender da avaliação do Núcleo de Combate à Corrupção.
Fontes: AEROIN