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Tecnologia· 29 de junho de 2026

NASA X-59 quebra a barreira do som pela 1ª vez e mira o voo supersônico sem estrondo

Em junho de 2026, o avião experimental da NASA passou de Mach 1 e chegou a Mach 1,4. A meta é trocar o 'sonic boom' por um baque suave e reabrir o céu para voos supersônicos sobre terra.

NASA X-59 quebra a barreira do som pela 1ª vez e mira o voo supersônico sem estrondo

O X-59, avião experimental da NASA, quebrou a barreira do som pela primeira vez em 5 de junho de 2026, sobre o deserto da Califórnia. Pilotado por Jim "Clue" Less, partindo e pousando na Base Aérea de Edwards, o jato atingiu Mach 1,1 (cerca de 1.150 km/h) a 13,2 mil metros de altitude, em um voo de 81 minutos. Uma semana depois, em 12 de junho, foi além: alcançou Mach 1,4 (cerca de 1.490 km/h) a 16,8 mil metros — exatamente a velocidade e a altitude que pretende usar nos testes decisivos do programa.

Mach é a forma de medir velocidade em relação à do som. Mach 1 é a velocidade do som; Mach 1,4 significa voar 40% mais rápido que ela.

O voo é o coração da missão Quesst (sigla em inglês para "Tecnologia Supersônica Silenciosa"). O X-59 foi construído pela divisão Skunk Works, da Lockheed Martin, com um objetivo específico e ambicioso: voar mais rápido que o som sem o estrondo que sempre acompanhou esse tipo de voo.

Por que o estrondo é um problema

Quando um avião ultrapassa a velocidade do som, ele comprime o ar à frente e gera ondas de choque que se juntam em um único "estouro" violento — o sonic boom. Lá embaixo, isso soa como uma explosão capaz de chacoalhar janelas. Foi por causa desse barulho que, em 1973, os Estados Unidos proibiram voos supersônicos comerciais sobre terra. A regra, ainda em vigor, é o motivo de o lendário Concorde só poder acelerar sobre o oceano — e ajuda a explicar por que ele nunca foi um bom negócio.

O truque do formato

O X-59 não elimina as ondas de choque: ele as espalha. Com quase 30 metros de comprimento, corpo finíssimo e um nariz pontudo longuíssimo, o avião foi desenhado para impedir que essas ondas se somem em um único estrondo. Em vez disso, elas chegam ao solo separadas e enfraquecidas, percebidas como um "thump" — um baque abafado, parecido com o som de uma porta de carro batendo a alguns quarteirões de distância.

Na prática, a NASA mira um ruído de cerca de 75 decibéis percebidos, contra os 105 a 110 do Concorde — algo em torno de 16 vezes mais silencioso.

Importante: o "baque" ainda não foi medido

Vale a ressalva. Nesses dois voos, um caça F-15 voou ao lado para monitorar o X-59 — e os próprios estrondos do F-15 abafaram qualquer som do jato experimental. Ou seja, a NASA ainda não confirmou na prática o quão silencioso o X-59 é. Essa medição virá em uma fase futura, quando o avião sobrevoar comunidades reais nos EUA para registrar como as pessoas percebem (ou não) o ruído.

O que isso muda para você

Se os testes acústicos confirmarem o "thump", a NASA entregará os dados à FAA e à ICAO, os órgãos que regulam a aviação. A ideia é substituir a proibição atual — baseada em velocidade — por um limite de ruído. Na prática, isso poderia reabrir o céu sobre cidades para uma nova geração de jatos supersônicos comerciais. Para o passageiro, a promessa é simples e tentadora: voos que hoje levam horas poderiam ser cortados pela metade — sem acordar quem está no chão.

Fonte: NASA — primeiro voo supersônico · NASA — voo de 12 de junho (Mach 1,4) · Live Science