Holanda estuda aposentar Boeing de Estado após KLM e rei migrarem para o Airbus
A KLM trocou seus Boeing 737 pelo Airbus A321neo, e o rei Willem-Alexander, copiloto da companhia, deixou de voar Boeing. Agora a Holanda avalia aposentar também seu avião de Estado, o 737 PH-GOV.
O governo holandês começou a avaliar a aposentadoria do seu avião de Estado — um Boeing 737-700 de registro PH-GOV — depois que a KLM, companhia que opera e mantém a aeronave, decidiu substituir toda a sua frota Boeing de corredor único (com um único corredor entre as poltronas) pelo Airbus A321neo. Sem a estrutura de pilotos e manutenção Boeing que a KLM oferecia no país, Haia estuda trocar também o jato presidencial por um Airbus. A informação foi divulgada em 27 de junho.
O gancho da história tem nome: Willem-Alexander, o rei dos Países Baixos. Há 21 anos ele voa como piloto convidado da KLM — não como passageiro, mas no comando, na função de copiloto (o primeiro oficial, segundo na hierarquia da cabine). Em média, faz dois voos comerciais por mês. Tirou a licença de piloto de linha aérea em 2001 e passou duas décadas no Fokker 70 antes de migrar para o Boeing 737.
Em 11 de março de 2026, o rei fez seu último voo programado no 737. Concluiu a habilitação no Airbus A321neo em 6 de junho e, no dia 19, comandou seu primeiro voo comercial no novo modelo, entre Amsterdã e Bucareste. Ou seja: o próprio rei deixou de pilotar Boeing — exatamente o que alimenta a dúvida sobre o avião de Estado.
O PH-GOV é um BBJ (Boeing Business Jet, a versão executiva do 737). O governo o comprou em 2019 por 89 milhões de euros, com expectativa de uso por cerca de 20 anos. A troca, se confirmada, encurtaria essa vida útil para apenas oito anos.
A lógica é prática. A manutenção pesada do jato dependia da estrutura que a KLM mantinha para os seus próprios 737. Com a companhia aposentando esses aviões — parte de um programa de renovação de frota de cerca de 7 bilhões de euros, que troca todos os 737 europeus pela família A320neo —, fica caro e complicado sustentar uma única aeronave Boeing isolada no país.
O caso resume um movimento maior na Europa. KLM, Lufthansa e outras grandes companhias vêm reforçando encomendas da família A320neo da Airbus para os voos de média distância, reduzindo o peso do 737 no continente. Quando a frota comercial migra, o efeito cascata atinge pilotos, oficinas e até aviões de governo — como mostra o caso holandês.
Nenhuma decisão final foi anunciada. Por enquanto, é um estudo.
Fonte: Aeroin