Anac suspende quatro empresas de voo panorâmico no Rio
Das nove empresas de voo panorâmico já fiscalizadas no Rio, quatro tiveram os serviços suspensos após ações reforçadas pela Anac.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu quatro empresas de voos panorâmicos que operavam na cidade do Rio de Janeiro. O balanço foi divulgado na terça-feira, 18 de agosto de 2026, em entrevista coletiva na sede do Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura do Rio, na região central da capital fluminense.
A intensificação das ações começou na semana anterior ao balanço de 18 de agosto. Segundo a agência reguladora, atualmente 12 empresas autorizadas utilizam 46 aeronaves nessa atividade na cidade. Os dados apurados até 17 de agosto mostram que, das 12 empresas, nove já foram fiscalizadas, e quatro delas tiveram os serviços suspensos.
"Estamos falando de 50% até hoje das atividades de voos panorâmicos do Rio de Janeiro que estão com algum tipo de irregularidade. Esse é um número preocupante e altíssimo", apontou o diretor-presidente da agência, Tiago Chagas Faierstein.
Entre as 46 aeronaves usadas na atividade, 18 passaram por fiscalização e nove foram suspensas, metade do total já verificado. As fiscalizações incluem auditorias nos Sistemas de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO, o conjunto de processos internos que cada empresa usa para controlar riscos), além da verificação do cumprimento de procedimentos operacionais e de vistorias e inspeções técnicas nas aeronaves.
As ações aumentaram após uma solicitação da prefeitura do Rio diante dos acidentes de helicóptero ocorridos na capital fluminense nos últimos meses. "As fiscalizações são ações ordinárias da Anac. No entanto, diante dos fatos ocorridos na cidade do Rio de Janeiro nos últimos meses, foi necessário o reforço nas ações, especialmente em relação às empresas que oferecem serviços de voos panorâmicos", disse Faierstein, que participou da coletiva ao lado do prefeito Eduardo Cavaliere.
"Desde janeiro, infelizmente perdemos 13 vidas aqui na cidade do Rio de Janeiro envolvendo acidentes aéreos com helicópteros, que obviamente despertam alerta e chamam atenção e fazem com que a população, a sociedade e as autoridades públicas alertem em relação a este tema", disse o prefeito.
O secretário municipal da Casa Civil, Leandro Matieli, informou que a prefeitura suspendeu o uso do heliponto da Lagoa por empresas de voo panorâmico. A partir do acidente com o helicóptero que caiu na Floresta da Tijuca, em 8 de agosto, e provocou a morte de três turistas chilenas e do piloto, a administração municipal identificou que cinco empresas autorizadas pelo RBAC 136, o regulamento exclusivo para voos panorâmicos, não obedeciam à norma de partir e retornar de um mesmo ponto.
"Identificamos a possibilidade de essas empresas estarem burlando a norma e utilizando o próprio heliponto da Lagoa para desembarque de passageiros. (...) No Diário Oficial de segunda-feira suspendemos a operação nesse heliponto. Desde o início da semana, essas cinco empresas estão proibidas de operar no heliponto da Lagoa", disse Matieli.
Além da queda na Floresta da Tijuca, duas aeronaves se chocaram no ar e caíram no bairro do Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio, em 14 de junho. Nesse acidente, morreram seis pessoas.
Faierstein pediu que os usuários consultem a plataforma Voe Seguro, informando o prefixo da aeronave para checar se ela está autorizada para a atividade. "As pessoas podem denunciar o que está acontecendo. É importante falar que temos uma plataforma chamada Voe Seguro, onde o usuário pode botar o prefixo da aeronave e saber se aquela que está entrando é autorizada para a atividade. A gente precisa que as pessoas consultem", afirmou.
Faierstein também anunciou que a Anac vai revisar o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 136 (RBAC 136), que trata das operações de voos panorâmicos. A intenção é aprimorar os requisitos de segurança operacional, considerando a evolução do setor, as características regionais e as boas práticas internacionais. A revisão vai alcançar os requisitos organizacionais das empresas, a qualificação de tripulações, a manutenção e a gestão da segurança operacional, com participação social e consulta pública.
O diretor-presidente garantiu que a fiscalização vai continuar "até que se fiscalize todas e de maneira frequente e permanente" e adiantou que a Anac também vai fiscalizar as operações de táxi-aéreo e as empresas de manutenção no Rio. "Vamos fiscalizar todas as empresas de manutenção, porque às vezes o problema não é no helicóptero que está fazendo o voo, mas na empresa que fez a manutenção de maneira errada ou que burlou algum documento de manutenção. Vamos fiscalizar todo esse ecossistema para garantir e ter certeza que voar de helicóptero no Rio de Janeiro e no Brasil é seguro", disse.
Faierstein reconheceu que a Anac não tem condições de fiscalizar todas as empresas e voos panorâmicos do país e defendeu a colaboração de todos os envolvidos na atividade. "A aviação é feita por camadas. (...) Todas essas camadas funcionando juntas são o que torna a aviação segura não só no Brasil, mas no mundo", afirmou.
Fontes: CGN