Volume interno vira arma da Lockheed contra o KC-390 na Índia
A Lockheed Martin aposta na capacidade interna do Hércules para disputar com a Embraer o contrato de 60 aviões da Índia, que pode chegar a quase cem unidades.
A Lockheed Martin está destacando, na disputa pelo contrato de transporte militar da Índia, uma vantagem pouco lembrada do C-130 Hércules sobre o concorrente brasileiro KC-390, da Embraer: a capacidade de volume interno do avião. As duas aeronaves são as únicas concorrentes ao contrato de 60 aviões da Força Aérea Indiana, que pode chegar a quase cem unidades, destinado a substituir o turboélice bimotor Antonov An-32.
Robert Toth, vice-presidente de mobilidade aérea da Lockheed Martin, deu entrevista ao portal indiano ThePrint e afirmou: "Muitas das características atribuídas ao C-130J-30 Super Hércules são, na verdade, do C-130H Hércules ou da versão original do C-130J, que é mais curta."
Essa versão -30, mais longa, não é novidade na família Hércules: surgiu em 1970, na versão civil L-100, que ganhou uma extensão de fuselagem, hoje de 4,6 metros. A modificação pode ser feita em aviões Hércules já existentes e também revertida nesses casos. No Brasil e em países vizinhos essa versão alongada não foi usada, mas é relativamente popular na Ásia e na Europa.
Claramente, o KC-390 é uma aeronave maior, mais capaz e mais moderna: é um projeto originário do final da primeira década do século 21, enquanto o C-130 Hércules é do meio do século 20 — uma diferença de 60 anos entre os dois desenvolvimentos.
Ainda assim, segundo Toth, o C-130J-30 pode levar 4 toneladas a mais de carga que a versão comum do Hércules, chegando a 22 toneladas de carga útil, contra 26 toneladas do KC-390. A vantagem alegada pela Lockheed está no volume: o executivo aponta que o C-130J-30 pode levar 60% mais passageiros ou 45% a mais de paraquedistas que o KC-390, mesmo com carga útil menor, porque muitas vezes o limite de volume interno é atingido antes do limite de peso.
Na configuração médica, o Super Hércules leva 30% a mais de macas que o brasileiro, por conta do espaço interno maior. Segundo a Lockheed, a aeronave tem uma posição extra de pallet — a plataforma usada para carregar cargas dentro do avião —, o que representa 15% de diferença na capacidade de pallets.
A equipe do AEROIN conferiu esses números com dados oficiais fornecidos tanto pela Embraer quanto pela Lockheed Martin e os considerou condizentes com a fala do executivo.
Por ser maior e mais pesado, o C-130J-30 tem consumo maior e, consequentemente, alcance reduzido em comparação ao C-130J padrão — um desempenho ainda inferior ao do KC-390, que é um turbojato, mais veloz e voa mais alto.
Toth também destacou que o Super Hércules tem quatro motores, contra dois do KC-390, o que daria mais redundância em missões militares e ampliaria as opções de pouso em caso de perda de um motor. O executivo não apresentou, porém, dados de desempenho com um motor inoperante que sustentassem essa afirmação.
Embraer e Lockheed Martin já entregaram suas propostas à Índia e seguem em conversas com as autoridades do país. O prazo final para participação no certame é 2 de dezembro, ainda sem data definida para o anúncio da vencedora — decisão que deve sair apenas no primeiro semestre do próximo ano.
Fontes: AEROIN