Restrição no Santos Dumont pode custar R$ 1 bi à Infraero até 2030
Para o ministro Benjamin Zymler, a Infraero se sustenta com as receitas do Santos Dumont, e a restrição no terminal reduz a geração de caixa da empresa.
O Tribunal de Contas da União (TCU) informou em 16 de setembro de 2026 que a manutenção da restrição operacional em vigor no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pode custar R$ 1 bilhão ao caixa da Infraero até 2030. O aeroporto carioca é o ativo do qual provém a maior parte dos recursos da estatal.
A informação foi apresentada pelo ministro relator do processo sobre acompanhamento orçamentário da Infraero, Benjamin Zymler, durante sessão no plenário da Corte. "Manter a restrição operacional no terminal pode gerar impacto negativo de R$ 1 bilhão na sustentabilidade da Infraero até 2030", afirmou.
Segundo Zymler, a dependência financeira da estatal em relação ao Santos Dumont explica o motivo do alerta. "A Infraero hoje, do ponto de vista financeiro, ela se sustenta com as receitas auferidas do aeroporto Santos Dumont, que, entretanto, divide com o aeroporto do Galeão todos os voos que partem da cidade do Rio de Janeiro", disse o ministro.
O TCU decidiu informar o Ministério de Portos e Aeroportos e a Secretaria do Tesouro Nacional sobre o potencial impacto financeiro das restrições em vigor no Santos Dumont. O colegiado também recomendou ao Ministério que só atribua à Infraero a administração de aeroportos não contemplados no Plano Aeroviário Nacional mediante justificativa técnica tempestiva que demonstre atendimento ao interesse público.
Para Zymler, o caso evidencia uma tensão entre o modelo tradicional de atuação da estatal, hoje sustentado pelas receitas do Santos Dumont, e as condições atuais do setor aeroportuário, em que o Santos Dumont divide com o Galeão os voos que partem do Rio de Janeiro. Segundo o ministro, a limitação de operações no Santos Dumont contribui para elevar a demanda no Galeão, mas reduz a geração de receitas da Infraero.
O ministro fez questão de esclarecer os limites da decisão do Tribunal. "Não há aqui, de nenhuma forma, uma posição do tribunal acerca do nível de movimentação de passageiros que o Santos Dumont deve ter e o do Galeão. É apenas uma constatação concreta", disse.
Fontes: CGN