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Sustentabilidade· 18 de agosto de 2026

Reino Unido testa desviar voos para reduzir rastros de condensação

Operation Blue Skies, projeto de 30 meses em Shanwick, testará ajustes de altitude para reduzir rastros de condensação a partir deste ano.

Reino Unido testa desviar voos para reduzir rastros de condensação

Um consórcio formado por Google, o Departamento de Transportes do Reino Unido (DfT), o Met Office, a NATS, o grupo de pesquisa sem fins lucrativos Contrails.org, o Imperial College London e a Universidade de Cambridge vai começar ainda este ano a testar o desvio de altitude de voos no espaço aéreo oceânico de Shanwick, a metade oriental do corredor do Atlântico Norte, para evitar a formação de rastros de condensação. O projeto, batizado de Operation Blue Skies, tem duração de 30 meses e é parcialmente financiado pelo governo britânico.

Ao contrário de testes anteriores, que se limitavam a voos de uma única companhia aérea, esta será a primeira tentativa de redirecionar todos os voos dentro de um bloco de espaço aéreo.

Os rastros de condensação persistentes, aqueles que permanecem no céu em vez de se dissipar logo após a passagem do avião, se formam quando o avião atravessa áreas de ar saturado de gelo na atmosfera. Usando modelos baseados em inteligência artificial desenvolvidos pelo Google, que contribui com o projeto de forma gratuita, o consórcio vai identificar essas áreas e redirecionar os voos para evitá-las.

Essas áreas costumam se estender por uma faixa horizontal ampla, mas normalmente ficam restritas a uma banda estreita de altitude, entre 36.000 pés e 40.000 pés, o que permite evitá-las com mudanças relativamente pequenas de altitude.

As mudanças propostas pelos controladores da NATS, provedora de serviços de navegação aérea, serão limitadas a cerca de 2.000 pés, segundo Paul Hodgson, líder técnico do Google para a Operation Blue Skies. Essa margem deve limitar o aumento no consumo de combustível a cerca de 1%, ou por volta de 100 kg, na parcela do voo dentro do espaço aéreo de Shanwick. Em comparação, segundo Hodgson, o impacto equivalente dos rastros de condensação "é medido em toneladas, ou até dezenas de toneladas". "Então a proporção entre o impacto dos rastros e o impacto do CO2 é de pelo menos uma ordem de grandeza, se não várias ordens de grandeza", completa.

Como todo o tráfego estará sujeito ao teste, os pilotos não terão a opção de aceitar ou recusar as mudanças de nível de voo, que serão aplicadas como parte dos procedimentos normais de controle. "Os controladores de tráfego aéreo vão lidar com as regiões de ar supersaturado de gelo onde elas estiverem e, se for possível, seguro e operacionalmente viável mover a aeronave para evitar essas regiões, eles vão fazer isso", diz Ian Jopson, diretor de sustentabilidade da NATS. "É apenas um procedimento padrão, só que agora aplicado aos rastros de condensação, e não a outras situações, como turbulência ou outros tipos de clima." Jopson afirma ainda que essa abordagem minimiza a carga adicional de trabalho para os controladores.

Os testes serão feitos à noite, em duas janelas de inverno, entre 2026 e 2027 e entre 2027 e 2028, com cerca de 20 a 40 dias de teste, em blocos efetivos de 7 a 8 horas, em cada período entre novembro e fevereiro. Os demais dias vão servir como períodos de controle para o projeto. Segundo Hodgson, esses períodos têm a vantagem de ter menos tráfego e também são os mais propensos à persistência dos rastros.

Companhias aéreas individuais foram deixadas de fora do consórcio para evitar acusações de parcialidade, mas Hodgson afirma que há bastante interação com as empresas aéreas, e que isso vai continuar ao longo do projeto.

O governo britânico está fornecendo 2,65 milhões de libras (3,6 milhões de dólares) ao projeto por meio do Aerospace Technology Institute (ATI), enquanto a contribuição do Google é avaliada em 1,6 milhão de libras.

Embora tenham vida mais curta que as emissões de CO2, acredita-se que os rastros de condensação persistentes que causam aquecimento respondam por cerca de um terço do impacto climático total da aviação. Modelos atmosféricos mostram ainda que o espaço aéreo de Shanwick responde por aproximadamente 5% do aquecimento global causado por rastros de condensação.

Fontes: FlightGlobal