Qantas revisa controle de ferramentas após refletor esquecido em asa de A380
Refletor de manutenção ficou esquecido na asa de um A380 da Qantas, que voou dois trechos de longa distância antes de o item ser achado.
A Qantas iniciou trabalhos para adotar uma nova tecnologia de controle de ferramentas de manutenção e revisou seus procedimentos depois que um refletor de trabalho foi deixado esquecido dentro da asa de um Airbus A380. A aeronave, de prefixo VH-OQK, voou dois trechos de longa distância com o item dentro da asa antes de ele ser encontrado, segundo inquérito do Australian Transport Safety Bureau (ATSB), o órgão de investigação de segurança da Austrália, citado pelo FlightGlobal.
O episódio começou em Sydney, para onde a aeronave havia chegado vinda de Los Angeles em 7 de janeiro deste ano. Quatro profissionais foram designados para a tarefa de manutenção e precisaram rebocar o A380 do portão de chegada até uma baia de testes de motor da Qantas, para liberar o portão para outras aeronaves.
Um trabalho na cabine para corrigir defeitos menores exigiu a desativação do sistema de ar-condicionado. Como havia uma equipe de limpeza a bordo e as temperaturas estavam altas, isso gerou, segundo o ATSB, uma "pressão adicional" sobre a equipe de manutenção.
A tarefa no ar-condicionado envolvia trocar um sensor em um trocador de calor na asa esquerda. Vários instrumentos foram registrados como retirados para a tarefa, mas um refletor de trabalho foi registrado contra o prefixo da aeronave, VH-OQK, e não contra a tarefa.
Dois engenheiros fizeram a troca do sensor, e o refletor foi desligado quando eles saíram da asa. O engenheiro supervisor então inspecionou o serviço no sensor, e os três seguiram para a cabine de comando para testar o sistema de ar-condicionado.
Os investigadores afirmam que a unidade auxiliar de energia (APU, o pequeno motor usado para gerar eletricidade e ar quando os motores principais estão desligados) falhou de forma inesperada durante a partida, o que atrasou o teste em 30 minutos. Concluído o teste, o supervisor fez uma inspeção de limpeza de objetos estranhos (FOD, na sigla em inglês) na asa, usando uma lanterna.
Havia exigência de que a aeronave estivesse na baia de partida mais cedo que o normal e, depois de o A380 ser rebocado de volta, o engenheiro supervisor precisou se ausentar para resolver uma questão de política inesperada. Os demais engenheiros seguiram com os preparativos de partida, e a equipe fez sua primeira pausa dedicada nove horas e meia depois do início do turno.
Pouco depois, o A380 partiu para Dallas-Fort Worth. A manutenção na chegada foi feita por uma organização externa, que não usou o sistema de controle de ferramentas da Qantas. A aeronave então partiu no voo de volta a Sydney, onde chegou em 9 de janeiro.
Na chegada, um operador do depósito de ferramentas (tool crib) verificou um relatório de ferramenta não devolvida, que indicava que um refletor de trabalho designado à VH-OQK estava em falta. Após contato com o engenheiro que havia retirado o item, que levantou a possibilidade de ele ter ficado na asa, uma busca foi iniciada. O refletor foi encontrado dentro da asa.
"Nenhuma consequência adversa, dano estrutural ou interrupção de sistemas resultou" do episódio, diz o inquérito. Ainda assim, ele aponta que objetos estranhos representam um "risco significativo" à operação segura de aeronaves.
O sistema de informações de manutenção da Qantas não tinha, segundo o inquérito, uma forma automatizada de sinalizar a quem certifica a liberação da aeronave que ferramentas usadas não haviam sido devolvidas. Os engenheiros não perceberam que o refletor havia ficado na asa, e o tipo de ferramentas usadas na troca do sensor e no trabalho da APU fez com que os demais instrumentos fossem devolvidos ao depósito sem que a equipe percebesse que o refletor continuava registrado como retirado.
"Esse episódio demonstra que até processos bem estabelecidos são vulneráveis quando dependem apenas do desempenho humano consistente", diz o inquérito, especialmente porque tarefas de manutenção costumam ser feitas em "ambientes desafiadores e sob pressões operacionais".
Fontes: FlightGlobal