Por que o SR-71 Blackbird vazava combustível antes de decolar
As folgas da estrutura de titânio só se fechavam quando o jato aquecia em voo de alta velocidade.
Antes de iniciar uma missão, o Lockheed SR-71 Blackbird podia deixar combustível vazar no solo por um motivo calculado: sua estrutura precisava de folgas para suportar a expansão provocada pelo calor do voo em alta velocidade.
Segundo a Simple Flying, 93% da aeronave era feita de titânio. O material foi escolhido porque o atrito aerodinâmico e o funcionamento contínuo dos motores submetiam partes do avião a temperaturas de até 1.050°F, inviabilizando o uso do alumínio como material estrutural.
O jato usava a liga Beta B-120 na pele externa, projetada para o calor de 1.000 graus gerado em voos acima de Mach 3 e de 80 mil pés. Nessas condições, o SR-71 podia aumentar de comprimento entre três e quatro polegadas.
As juntas entre os painéis da fuselagem ficavam visíveis no solo. Quando o titânio aquecia, os painéis se expandiam e passavam a se encaixar, vedando os tanques. As asas também usavam metal corrugado, permitindo expansão e contração em diferentes perfis de voo.
O combustível JP-7 era parte essencial desse conjunto. Além de ter sido desenvolvido especificamente para o Blackbird, ele circulava por trocadores de calor antes de ser queimado, ajudando a resfriar a cabine, o trem de pouso e os fluidos hidráulicos. Como o JP-7 era difícil de inflamar, o SR-71 utilizava trietilborano, ou TEB, para iniciar a ignição no pós-combustor.
A fabricação também exigiu uma cadeia de suprimentos incomum. A fonte afirma que a CIA criou empresas de fachada para comprar titânio da União Soviética sem revelar o destino final do material. Em fevereiro de 1968, uma ordem do secretário de Defesa Robert McNamara determinou a destruição das matrizes, moldes e máquinas especializados usados na construção do Blackbird.
Fontes: Simple Flying