Pular para o conteúdo
VOA
PortalNotícias de aviação
Todas as notícias
Aviação· 05 de outubro de 2026

Pistas comerciais ligadas à era dos ônibus espaciais

Algumas pistas muito longas, hoje usadas por aeronaves comerciais e cargueiras, tiveram papel previsto nas operações dos ônibus espaciais.

Pistas comerciais ligadas à era dos ônibus espaciais

Pistas excepcionalmente longas em aeroportos e instalações de uso conjunto preservam uma ligação pouco comum com o programa de ônibus espaciais da NASA. Durante décadas, a agência formou uma rede de faixas de pouso de reserva para proteger tripulações no retorno dos orbitadores, aeronaves que voltavam do espaço sem motores em funcionamento e sem possibilidade de arremeter.

As principais áreas de pouso permaneciam restritas a instalações dedicadas à agência espacial. Ainda assim, aeroportos civis e de uso conjunto foram escolhidos por posição estratégica e pelo tamanho de seus pavimentos. Para receber um orbitador em alta velocidade, eram necessárias pistas extensas e áreas especiais além do fim da pista.

Na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, uma instalação serviu como local oficial para pouso de abortagem transoceânica da NASA. Sua posição no meio do Atlântico oferecia uma alternativa nas fases iniciais de lançamento, quando uma descida no oceano não deixaria à tripulação um local de desvio ao alcance.

A pista local mede 12.109 pés, ou 3.691 metros, segundo a fonte. A distância oferecia espaço de frenagem para a chegada de uma nave sem propulsão. Hoje, o campo funciona como instalação conjunta militar e comercial a serviço do arquipélago dos Açores. O pavimento também comporta aeronaves comerciais modernas de fuselagem larga e é associado a turismo, passageiros locais, cargas regionais, à Força Aérea dos Estados Unidos e à OTAN.

Outra instalação ibérica foi escolhida como local de pouso de abortagem transoceânica por ficar sob trajetórias importantes de lançamento. A NASA não precisou modificar a infraestrutura existente: a extensão da pista e a posição nas rotas transatlânticas já atendiam aos critérios de pouso. O local tornou-se a principal base de lançamentos de alta inclinação.

Sua pista também tem 12.109 pés, ou 3.691 metros, e avança pelo interior espanhol. A área ao redor oferecia aproximações livres de obstáculos. Atualmente, a instalação desempenha funções de base da Força Aérea Espanhola e de aeroporto comercial civil para cargas e passageiros.

No Kennedy Space Center, a faixa de concreto mede 15 mil pés, ou 4.572 metros. Ela testemunhou o encerramento de dezenas de missões orbitais e, depois da retirada formal da frota de orbitadores, a instalação iniciou uma transição para porto espacial comercial. Um acordo de propriedade de 30 anos com a Space Florida abriu esse pavimento histórico a clientes externos, incluindo transportadoras comerciais de carga e aeronaves especializadas no treinamento de astronautas.

A localização isolada também oferece acesso durante todo o ano a espaço aéreo fortemente restrito, distante de áreas civis densamente povoadas. A fonte aponta essa característica como adequada a veículos de lançamento horizontal e a testes aeroespaciais.

Perto de Madri, outra estrutura espanhola foi designada como área de pouso de emergência do programa espacial americano. O perfil meteorológico e a posição em rotas transatlânticas ajudaram na escolha, sem necessidade de alterações estruturais. Sua pista alcança 15.803 pés, ou 4.817 metros, uma das superfícies pavimentadas mais longas do sul da Europa, conforme a fonte.

O local chegou a receber tráfego civil de voos fretados e executivos com o nome Madrid-Torrejón Airport, mas depois voltou às operações militares. Atualmente, mantém prontidão para aeronaves de transporte pesado e missões especializadas.

Em Denver, no Colorado, a pista 16R/34L tem 16 mil pés, ou 4.877 metros. O aeroporto não foi formalmente designado como instalação de pouso de abortagem transoceânica, mas a fonte afirma que ela poderia receber um orbitador: em uma descida de emergência, a nave poderia usar qualquer pista pavimentada que atendesse ao mínimo de 9.800 pés, ou 2.987 metros.

A pista foi construída para enfrentar a altitude elevada de Denver. O ar mais rarefeito reduz a sustentação aerodinâmica e o desempenho dos motores, exigindo de jatos comerciais de passageiros totalmente carregados uma corrida de decolagem maior em dias quentes de verão.

Em uma região desértica remota da África do Sul, outro aeroporto comercial foi formalmente designado como ponto de recuperação de reserva da NASA. A pista principal mede 16.076 pés, ou 4.900 metros, superando a de Denver. As altas temperaturas do deserto reduzem a densidade do ar e exigem mais pavimento para que aviões comerciais pesados obtenham sustentação suficiente na decolagem.

O primeiro lugar da lista da fonte fica em um polo industrial russo, estabelecido em 1983 como instalação especializada em testes de voo. Ele foi projetado para atender a fábrica Aviastar-SP, que produz aeronaves de transporte como o Antonov AN-124. Para operar o Antonov em seu peso máximo de decolagem, ou MTOW, a maior massa permitida para decolar, os projetistas pavimentaram uma pista de 16.404 pés, ou 5 mil metros.

Além das operações civis de carga pesada, o programa espacial soviético designou a pista como área alternativa de pouso para o ônibus espacial Buran. Hoje, a instalação funciona como centro comercial voltado ao transporte internacional de cargas de grandes dimensões e abriga a base principal da Volga-Dnepr Airlines.

Fontes: Simple Flying