Jato da Embraer faz voos de lazer de até 6h em 4 continentes
Da Mongólia à Costa Rica, companhias aéreas exploram o alcance do E195-E2 para abrir rotas turísticas que aviões maiores não sustentariam.
O E195-E2, jato regional da fabricante brasileira Embraer, virou instrumento de rotas de lazer bem mais longas do que o esperado para esse tipo de aeronave. Companhias aéreas em quatro continentes vêm usando o modelo para voos sazonais de até seis horas, ligando cidades a destinos turísticos que dificilmente sustentariam a operação de aviões maiores, como o Airbus A320 ou o Boeing 737.
O exemplo mais extremo veio da Mongólia. A Hunnu Air, companhia de apenas cinco aeronaves baseada no Aeroporto Internacional Chinggis Khaan (UBN), em Ulan Bator, operou no inverno passado voos charter sazonais entre a capital mongol e o Aeroporto de Phu Quoc (PQC), no Vietnã, uma distância de 2.598 milhas (4.180 km), com tempos de voo que passaram de seis horas. Antes de receber o E195-E2, a Hunnu Air fazia esse mesmo mercado de lazer com o Embraer E190 mais antigo, que precisava de uma escala técnica para abastecimento no Aeroporto de Yichang Sanxia (YIH), na China. Com o E195-E2, a rota passou a ser voada sem escalas.
O E195-E2 é o maior avião regional em operação atualmente, com capacidade para até 146 passageiros em configuração de alta densidade, ou 132 em layout de classe única com espaçamento de 31 polegadas entre poltronas. A Embraer informa que o modelo tem alcance de até 3.000 milhas náuticas (5.556 km) e consome 29% menos combustível do que a geração anterior do E-Jet. A cabine segue a configuração 2+2, sem assentos do meio.
Segundo balanço do primeiro trimestre de 2026 da Embraer, o programa E2 soma 504 encomendas firmes, 213 aeronaves entregues e uma carteira de 291 unidades. A canadense Porter Airlines é a maior operadora atual, com mais de 50 E195-E2 em operação dentro de um pedido total de 75 unidades. Outras grandes clientes com entregas e encomendas firmes incluem a brasileira Azul Linhas Aéreas (75), a americana Avelo Airlines (50), a escandinava SAS (45) e a holandesa KLM (35), esta última usando o E195-E2 em destinos secundários pela Europa, sendo Amsterdã–Catânia (1.140 milhas / 1.835 km) a rota mais longa da sua frota do modelo.
A Porter é quem foi mais longe na escala da rede. Até julho de 2026, a companhia havia recebido 54 das 75 aeronaves encomendadas, e sua malha de inverno 2026/27 já reúne mais de 40 rotas para destinos de clima quente a partir de aeroportos canadenses como Toronto Pearson, Ottawa e Montreal-Trudeau. A rota mais longa é Ottawa–Liberia, na Costa Rica (Aeroporto de Guanacaste), com 2.468 milhas (3.972 km) e tempo de bloco (contagem do calço ao calço, incluindo o taxiamento no solo) próximo de seis horas. A nova rota Ottawa–Los Cabos, que estreia neste inverno, terá o maior tempo de bloco da malha, de exatamente seis horas. Toronto também liga a Liberia (Guanacaste) e a San José, com missões parecidas.
Na África, a Air Peace, da Nigéria, abriu um dos precedentes: a rota Lagos–Joanesburgo, de 2.809 milhas (4.521 km), chegou a ter tempo de bloco de cerca de seis horas, mas a companhia encerrou o serviço semanal em fevereiro de 2025. Agora é a sul-africana Airlink que avança nesse território: em 2 de outubro de 2026, a companhia inicia voos duas vezes por semana entre Cidade do Cabo (CPT) e o Aeroporto Internacional Sir Seewoosagur Ramgoolam (MRU), nas Maurícias, cobrindo 2.557 milhas (4.115 km) em mais de cinco horas de voo, com aeronaves configuradas para 124 passageiros (12 na classe executiva e 112 na econômica). Em 3 de outubro de 2026, a Airlink lança ainda uma rota entre Cidade do Cabo e Zanzibar (2.325 milhas / 3.742 km). O primeiro E195-E2 da companhia já havia mostrado o fôlego do modelo ao voar, em setembro de 2025, direto da fábrica da Embraer em São José dos Campos até Cidade do Cabo, 3.925 milhas (6.317 km) cobertas em pouco menos de oito horas.
Na Europa, a norueguesa Widerøe usou o E190-E2 (versão menor do E195-E2) na rota entre Bergen e Lanzarote, nas Canárias, de 2.336 milhas (3.760 km) e mais de cinco horas de voo. Já a belga TUI fly opera até meados de novembro a rota sazonal Antuérpia–Tenerife, de 1.936 milhas (3.116 km) e 5h05 de duração, com E195-E2 de 136 assentos. A pista de Antuérpia, de apenas 4.955 pés (1.500 metros), limita a operação de aviões como o A320 e o 737, o que torna o E195-E2 especialmente útil ali, ainda que a TUI já tenha anunciado que vai reduzir sua operação no aeroporto e sair de lá por completo em março de 2027.
Fontes: Simple Flying