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Aviação Militar· 15 de agosto de 2026

Índia abre disputa bilionária por 60 aviões, e C-390 da Embraer está na briga

Programa de US$ 10 bilhões prevê 60 aviões, sendo 48 produzidos na Índia, e coloca o C-390 da Embraer contra o C-130J da Lockheed Martin e o A400M da Airbus.

Índia abre disputa bilionária por 60 aviões, e C-390 da Embraer está na briga

O Ministério da Defesa da Índia lançou uma solicitação de propostas (RFP, o documento em que o governo pede ofertas formais aos fabricantes) para a aquisição de 60 aeronaves de transporte multimissão para a Força Aérea Indiana, em um programa avaliado em aproximadamente US$ 10 bilhões. É uma das maiores concorrências já abertas pelo país para a modernização da aviação de transporte militar.

O projeto deve substituir a envelhecida frota de Antonov An-32 e ampliar a capacidade de transporte tático e logístico da Indian Air Force (IAF). Três aeronaves estão entre os principais candidatos ao contrato: o Embraer C-390 Millennium, o Lockheed Martin C-130J Super Hercules e o Airbus A400M Atlas.

A proposta prevê a entrega inicial de 12 aeronaves diretamente dos fabricantes, enquanto as outras 48 deverão ser produzidas na Índia. O modelo de aquisição coloca a indústria indiana no centro do programa e exige participação local, transferência de tecnologia e estabelecimento de capacidade de fabricação e suporte no país.

O C-390 e a aposta da Embraer

A fabricante brasileira participa da disputa em parceria com o grupo indiano Mahindra, oferecendo o C-390 Millennium para o segmento de transporte médio da IAF. O avião pode transportar até 26 toneladas de carga e atingir velocidade de aproximadamente 870 km/h. Ele foi desenvolvido para executar missões como transporte de tropas e equipamentos, lançamento de cargas, evacuação aeromédica, busca e salvamento, combate a incêndios e operações humanitárias.

Além da capacidade operacional, a proposta brasileira aposta na possibilidade de transformar a Índia em um polo regional de produção e manutenção do C-390. Embraer e Mahindra já avançaram nos planos para estabelecer uma estrutura de manutenção, reparo e revisão de aeronaves no país caso o modelo seja selecionado. A empresa já tem presença no mercado indiano, com aeronaves baseadas no ERJ-145 empregadas em sistemas de alerta aéreo antecipado.

O rival dos Estados Unidos

A Lockheed Martin entra na disputa com o C-130J Super Hercules, em parceria com a Tata Advanced Systems. O modelo americano tem uma vantagem relevante, pois já é operado pela Força Aérea Indiana, principalmente em missões de operações especiais, o que significa pilotos, equipes de manutenção, infraestrutura e experiência operacional já estabelecidos.

Em compensação, o C-130J tem capacidade de carga inferior à do avião brasileiro: transporta aproximadamente 19 toneladas, contra 26 toneladas do C-390. Essa diferença poderá ser um dos elementos analisados na avaliação das propostas.

O Airbus A400M Atlas também está associado à concorrência. Maior e mais pesado que os demais candidatos, oferece capacidade de transporte significativamente superior, mas seu tamanho e custos podem representar desafios diante dos requisitos definidos para o programa indiano.

Por que a produção local pesa tanto

A capacidade de operar em pistas não preparadas e em condições severas será um fator relevante, já que a Índia tem extensas regiões montanhosas e bases em áreas de elevada altitude, particularmente ao longo da fronteira com a China.

O governo indiano pretende utilizar grandes programas de defesa para ampliar sua indústria aeronáutica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. Por isso, a concorrência não deve ser decidida apenas pela capacidade de cada aeronave: o nível de fabricação local, a transferência de tecnologia, a criação de empregos, a cadeia de fornecedores, a capacidade de manutenção e os custos ao longo do ciclo de vida devem ter peso significativo na escolha.

Para a Embraer, vencer a concorrência representaria um salto estratégico para o C-390, com um contrato potencialmente bilionário e uma possível linha de produção e rede de manutenção na Índia, o que abriria caminho para futuras vendas na região. Para a Lockheed Martin, manter o C-130J em uma frota que já opera o modelo seria uma forma de consolidar uma relação já estabelecida com a IAF.

A partir do lançamento da solicitação de propostas, a disputa entra agora em fase decisiva: as empresas deverão apresentar suas ofertas técnicas e comerciais, enquanto a Índia avalia o desempenho das aeronaves, as propostas de industrialização, os custos e a capacidade dos parceiros locais.

Fontes: Cavok Brasil