Helibras encerra produção do maior helicóptero já fabricado no país
Após 47 unidades fabricadas, a Helibras conclui em Itajubá (MG) o programa do H225M Caracal, substituído em parte por helicópteros H125 Esquilo.
A produção do helicóptero militar H225M Caracal está chegando ao fim no Brasil após a fabricação de 47 unidades pela Helibras, em um programa de cooperação entre Brasil e França que marcou uma nova etapa para a indústria brasileira de helicópteros. O último exemplar destinado à Força Aérea Brasileira (FAB) está atualmente na linha de montagem da empresa, cuja produção fica em Itajubá (MG), como informa a Folha de São Paulo, mídia parceira do AEROIN.
O fim da fabricação ocorre antes que a quantidade originalmente prevista no contrato seja alcançada. Em 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo brasileiro contratou 50 helicópteros em um acordo estimado, à época, em 1,85 bilhão de euros, valor equivalente hoje a cerca de R$ 11,2 bilhões.
As mudanças no encerramento do programa ocorreram após as Forças Armadas solicitarem alterações na etapa final do contrato. Com isso, as três aeronaves restantes não serão produzidas. O Exército Brasileiro optou por concluir sua participação no acordo por meio de um contrato de manutenção, enquanto a FAB e a Marinha do Brasil receberão, respectivamente, 15 e 12 helicópteros H125 Esquilo em substituição às aeronaves que deixaram de ser produzidas. O H125 é um modelo menor, destinado a treinamento básico de pilotos e missões mais simples.
O programa, batizado de H-XBR, foi criado para viabilizar a produção nacional dos helicópteros originalmente chamados EC725. Os equipamentos foram contratados junto a um consórcio formado pela fabricante Eurocopter, que depois passou a integrar a Airbus Helicopters, após a mudança de nome da empresa.
Com a nova denominação, o modelo passou a ser chamado de H225M Caracal na configuração militar. Cada Força Armada adotou uma designação própria: H-36/VH-36 Caracal na FAB, HM-4 Jaguar no Exército e AH-15B e UH-15A/B Super Cougar na Marinha.
Além da produção em Itajubá (MG), o acordo estabeleceu metas de transferência de tecnologia e nacionalização de componentes, com a previsão de que pelo menos metade da aeronave tivesse conteúdo produzido no Brasil. A meta de nacionalização foi alcançada ao longo do desenvolvimento do programa.
A iniciativa também teve impacto significativo sobre a Helibras, subsidiária brasileira da Airbus. Segundo Amaury Cardoso Bastos Júnior, presidente da empresa, o programa representou uma mudança importante para a companhia e para o setor de helicópteros no país, permitindo que sua capacidade industrial fosse duplicada.
A fabricação dos H225M no Brasil começou em 2012. Dois anos depois, em 2014, a Marinha recebeu o primeiro helicóptero produzido no país. Desde então, as aeronaves foram incorporadas às três Forças Armadas e empregadas em diferentes tipos de operações.
Após a conclusão do programa, a estrutura utilizada na montagem será aproveitada para a produção de outro modelo de helicóptero da Airbus, provavelmente o H145M, que está nos planos de aquisição do Exército Brasileiro.
Hoje o Caracal é o segundo maior helicóptero em operação no Brasil, superado apenas pelo Sikorsky S-92, operado no mercado civil para atendimento de plataformas de petróleo. A versão original H225 também é usada nessa função offshore, mas todas as unidades que operam no mercado civil brasileiro foram fabricadas em Marselha, na França, e não em Itajubá.
Para a Helibras, o fim da fabricação não representa o encerramento do desenvolvimento da indústria de helicópteros no Brasil, mas a conclusão de uma etapa do projeto. A empresa destaca que o programa envolveu desde a concepção e a transferência de tecnologia até a formação de profissionais e a implantação da capacidade necessária para fabricar o modelo no país.
Fontes: AEROIN