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Aviação Comercial· 26 de setembro de 2026

Falha no primer anticorrosivo afeta mais de 500 jatos A321neo da Airbus

Airbus diz que a falha na camada anticorrosiva do A321neo é questão de qualidade, sem risco à segurança, e que o reparo dispensa desmontar os estringers.

Falha no primer anticorrosivo afeta mais de 500 jatos A321neo da Airbus

Mais de 500 jatos Airbus A321neo foram identificados com uma falha na camada de proteção anticorrosiva aplicada dentro da fuselagem, segundo reportagem do site Simple Flying, baseada em fontes familiarizadas com o assunto e em informações do site The Air Current. A Airbus confirmou o problema, mas classificou como "uma questão de qualidade, não de segurança", afirmando que os aviões afetados estão seguros para continuar operando.

O defeito, chamado pela Airbus de "desvio na proteção de superfície", atinge os estringers da parte inferior dianteira da fuselagem — peças estruturais fixadas ao longo do casco do avião para reforçar sua estrutura externa. Sobre esses estringers é aplicada uma camada de primer, uma espécie de tinta de base, seguida de um revestimento anticorrosivo. A função dessa camada é proteger a estrutura contra corrosão ao longo da vida útil da aeronave. Segundo a reportagem, a camada de primer aplicada estaria fina demais, o que poderia reduzir a resistência dos estringers à corrosão.

Cerca de 250 dos aviões afetados já estão em operação, e outros 250 ainda estão em diferentes estágios de produção ao longo da cadeia de suprimentos da Airbus na Europa, nos Estados Unidos e na China. O A321XLR, versão de maior alcance que entrou em serviço no fim de 2024, não está entre os modelos afetados.

Por que a Airbus diz que os aviões podem seguir voando

A Airbus afirma que a origem do defeito já foi "identificada, contida", e que existe um reparo disponível, com todos os estringers revestidos mais recentemente já em conformidade com as exigências da fabricante. Segundo a empresa, o retrabalho não exige desmontagem dos estringers: "uma vez aplicado o retrabalho, a aeronave é considerada de volta ao seu projeto nominal", diz a fabricante, segundo a reportagem.

A Airbus informou aos clientes do A321neo que não há necessidade imediata de realizar reparos, e as companhias aéreas seguem recebendo normalmente as aeronaves com o defeito.

A Airbus teria rastreado a origem do problema até um fornecedor de segunda camada da cadeia produtiva, nomeado por fontes ouvidas pela reportagem como a empresa TESI, subcontratada da italiana Leonardo. A Leonardo é uma das duas fornecedoras de estringers do A321neo, ao lado da Airbus Atlantic, unidade interna da fabricante antes chamada Stelia.

O A321neo é hoje o modelo central do programa de aviões de corredor único da Airbus, com quase 8 mil pedidos — cerca de dois terços de todas as encomendas da família A320neo. Mais de 2.200 unidades já foram entregues, e a fabricante ainda tem uma carteira de mais de 5.600 aeronaves do modelo a produzir.

O caso surge em meio à corrida da Airbus para bater recorde de entregas em 2026: a meta é entregar cerca de 870 aviões comerciais no ano, depois de já ter entregue 475 aeronaves entre janeiro e agosto — alta ante as 434 do mesmo período de 2025. A fabricante ainda precisa entregar cerca de 395 aviões nos últimos quatro meses do ano para cumprir a meta, e o A321neo deve puxar boa parte desse esforço: em agosto, o modelo respondeu por 26 das 43 entregas da família A320neo. A Airbus também está elevando a produção mensal da família A320neo de cerca de 60 para 75 aeronaves até o fim de 2027.

Não é o primeiro problema de controle de qualidade enfrentado pela Airbus na produção de aviões de corredor único nos últimos meses. Em dezembro de 2025, desvios de espessura em painéis de fuselagem fabricados pela fornecedora espanhola Sofitec Aero levaram a verificações em mais de 600 jatos da família A320, o que forçou a fabricante a reduzir sua meta de entregas de 2025 de cerca de 820 para cerca de 790 unidades. A Airbus terminou o ano com um total de 793 entregas e agora mira um crescimento de quase 10% nas entregas de 2026.

Fontes: Simple Flying