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Regulação· 20 de setembro de 2026

FAA propõe inspeção em motores de A220 e E195-E2 após 6 casos

Proposta da FAA mira motores Pratt & Whitney do Airbus A220 e dos Embraer E190-E2 e E195-E2 após seis casos de contato anormal entre peças.

FAA propõe inspeção em motores de A220 e E195-E2 após 6 casos

A Federal Aviation Administration (FAA), agência reguladora da aviação civil dos Estados Unidos, divulgou em 17 de setembro de 2026 uma proposta de Diretiva de Aeronavegabilidade (AD) para motores Pratt & Whitney das famílias PW1500G e PW1900G. Esses motores equipam o Airbus A220 e os Embraer E190-E2 e E195-E2.

A proposta quer tornar obrigatórias inspeções por boroscópio - um instrumento com câmera que permite examinar o interior do motor sem desmontá-lo - para identificar desgaste no compressor de alta pressão (HPC), a parte do motor que comprime o ar antes da combustão. A medida também prevê a substituição de componentes quando necessário.

A proposta foi motivada por seis casos de contato anormal, chamado pela indústria de "clashing", entre as palhetas estatoras variáveis (Variable Stator Vanes, ou VSV) e os rotores do compressor. Segundo a investigação, a origem do problema está no desgaste das buchas que sustentam essas palhetas, o que pode gerar movimento excessivo delas e levar ao contato com os rotores do primeiro ao terceiro estágios do HPC. Esse contato pode causar riscos e danos que, se não corrigidos, aumentam o risco de falhas no rotor do motor.

Nem todos os motores dessas famílias entram na diretiva proposta. A medida afeta apenas motores com números de série específicos, ligados aos módulos HPC indicados pela própria Pratt & Whitney. Entre os modelos citados estão as versões PW1519G, PW1521G e PW1525G, da família PW1500G, e PW1919G e PW1923G, da família PW1900G.

O que muda na prática

Pela proposta, a inspeção por boroscópio deve verificar as superfícies traseiras dos rotores em busca de desgaste, riscos ou sinais de contato com as buchas das palhetas. O primeiro exame teria prazo definido pela diretiva e precisaria se repetir a cada 1.000 horas de voo caso a modificação corretiva ainda não tenha sido feita. Se forem encontrados danos que se enquadrem nos critérios da diretiva, as peças precisam ser retiradas de serviço e substituídas imediatamente.

Como solução definitiva, a FAA propõe a troca do conjunto de buchas das VSVs, o que elimina a necessidade de repetir as inspeções. Essa substituição deve ocorrer na próxima vez em que o motor estiver com a flange do front case do HPC - a junção frontal da carcaça do compressor de alta pressão - aberta, seguindo os boletins de serviço que a Pratt & Whitney publicou em julho de 2026.

A proposta chega em um momento em que operadoras já sentem o peso da manutenção desses motores. Nos Estados Unidos, a JetBlue enfrenta desafios relacionados à disponibilidade de motores PW1500G para sua frota de A220, o que impacta as operações devido ao tempo prolongado necessário para manutenção.

A FAA mantém o processo aberto para comentários públicos até 19 de outubro de 2026. Depois desse prazo, a agência pode publicar uma diretiva de aeronavegabilidade definitiva, possivelmente com ajustes nos requisitos propostos.

Fontes: AEROIN