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Tecnologia· 19 de setembro de 2026

FAA estreia IA no tráfego aéreo; deve prever conflitos com mais de 45 dias

Na primeira fase, o SMART só apoia decisões; previsão de conflitos com mais de 45 dias e expansão nacional vêm até 2028.

FAA estreia IA no tráfego aéreo; deve prever conflitos com mais de 45 dias

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) vai colocar em operação, a partir de 2026, um novo sistema de inteligência artificial batizado de SMART — sigla para Strategic Management of Airspace Routes and Trajectories, algo como "gestão estratégica de rotas e trajetórias do espaço aéreo". A estreia do sistema está marcada para uma segunda-feira, segundo a Simple Flying, dentro do plano do governo americano de modernizar o controle de tráfego aéreo do país.

O SMART faz parte de um contrato de US$ 875 milhões firmado com a empresa Air Space Intelligence, com duração de 12 anos, para fornecer inteligência central para o espaço aéreo do país.

Na prática, o sistema vai analisar a programação de voos em curso, cruzando dados como previsão do tempo, capacidade das pistas dos aeroportos e limites operacionais, para prever fluxos de tráfego e identificar possíveis congestionamentos com antecedência.

Nesta primeira fase, a ferramenta vai atuar como apoio nas decisões durante interrupções operacionais complexas — funciona como ferramenta de apoio à decisão ("decision support"): um sistema consultivo que cruza informações e sugere caminhos, mas não assume o controle. Segundo o The Independent, citado pela Simple Flying, o setor esperava um lançamento inicial mais amplo após meses de planejamento, mas a estreia vai começar em escala menor.

É importante destacar que o SMART não substitui os controladores de tráfego aéreo humanos. A ferramenta deve funcionar como conselheira e apoio em decisões complexas, não como substituta. O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, e o sindicato da categoria reforçaram que os humanos continuam no comando.

Como parte da transição, a FAA planeja abrir um escritório centralizado para o programa na sede do Departamento de Transportes dos EUA, na New Jersey Avenue, em Washington. O investimento bilionário integra os planos do presidente Donald Trump de modernizar a envelhecida infraestrutura de aviação do país e apoiar um programa mais amplo de contratação de controladores, hoje marcado por escassez de pessoal.

A mudança também deve trazer pequenos ajustes de coordenação: a FAA já mantém conversas com companhias aéreas sobre alinhamento de horários, em meio à disputa acirrada por horários de pico em grandes aeroportos.

No início deste ano, ao tratar da necessidade de mudança estrutural na gestão do espaço aéreo, o administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou: "A forma como gerenciamos o tráfego hoje é caótica, e podemos fazer melhor. Precisamos gerenciar isso na FAA, em vez de depender das companhias aéreas para simplesmente programar do jeito que quiserem."

Apesar de dúvidas operacionais levantadas por algumas companhias e representantes do setor, a nova tecnologia foi bem recebida de forma geral. A Airlines for America afirmou esperar que o novo software traga um ganho significativo de segurança, além de ampliar a capacidade do espaço aéreo e melhorar a eficiência operacional.

A expansão para todo o país está prevista para até o fim de 2028. Segundo a Simple Flying, o software deve ajudar no planejamento proativo prevendo conflitos de tráfego com mais de 45 dias de antecedência, recomendando pequenos ajustes de horário e oferecendo uma visão digital compartilhada a controladores e companhias.

Fontes: Simple Flying