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Aviação Militar· 17 de setembro de 2026

Embraer trabalha para tornar Super Tucano capaz de abater drones

Fabricante trabalha com um operador atual do avião de ataque leve para certificar um pacote de combate a drones.

Embraer trabalha para tornar Super Tucano capaz de abater drones

A Embraer está trabalhando com um de seus clientes atuais do A-29 Super Tucano para certificar uma capacidade contra drones (counter-UAS, do inglês counter-unmanned aircraft systems, ou seja, combate a sistemas aéreos não tripulados) no avião de ataque leve turboélice. A informação é de Frederico Lemos, diretor comercial da unidade de defesa da Embraer, em entrevista à FlightGlobal em 15 de setembro, durante a conferência anual da Air & Space Forces Association, realizada nos arredores de Washington.

"Estamos trabalhando com uma nação específica na integração dessa capacidade", disse Lemos, descrevendo o projeto como um esforço ativo e em andamento. Ele não revela o nome do país parceiro, mas confirma que se trata de um operador atual do Super Tucano.

O pacote faz parte de um plano mais amplo de modernização do A-29, que inclui um novo display de cockpit de grande área e um link de dados por vídeo, recursos que, segundo Lemos, vão ajudar na missão contra drones ao dar aos pilotos mais consciência situacional e melhor gestão de informação. Um tanque de combustível externo também deve aumentar o tempo de permanência em voo, outro fator importante em missões antidrone.

Em março, a Embraer fez uma parceria com a empresa americana Valkyrie Aero para incorporar um pacote de inteligência artificial ao Super Tucano, voltado especificamente para aplicações contra drones.

O A-29 já pode ser equipado com um sensor eletro-óptico de mira e com os foguetes guiados a laser de 70 mm APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), da BAE Systems, que se tornaram uma opção popular para abater drones e munições de ataque de uso único, graças ao baixo custo e à fácil disponibilidade. O turboélice monomotor também tem um custo de operação ultrabaixo, de aproximadamente 1.500 dólares por hora de voo, fator chave para a missão antidrone, que envolve abater um grande número de alvos lentos voando em altitudes relativamente baixas.

A lista de países que operam o A-29, seja como treinador seja como plataforma de ataque, inclui Brasil, Líbano, Portugal, Mauritânia, Angola, Nigéria, Burkina Faso, Chile, Paraguai, Equador, Uruguai, Filipinas, Indonésia, República Dominicana e Turcomenistão. Um pequeno número de Super Tucanos também é operado por pilotos de teste da Força Aérea dos Estados Unidos, para treinamento de parafuso e estol e para testar sistemas montados em pilones sob as asas.

Para a FlightGlobal, Portugal desponta como candidato provável a ser o parceiro não revelado da Embraer. A força aérea portuguesa foi a cliente de lançamento da configuração A-29N, padrão Otan, e o primeiro operador do Super Tucano na Europa. Um lote inicial de cinco A-29N foi entregue ao país em dezembro de 2025. Portugal também sedia a OGMA, empresa de manutenção majoritariamente controlada pela Embraer, para onde são enviadas aeronaves militares fabricadas pela Embraer, como o cargueiro-tanque KC-390, para modificações e testes exigidos por clientes da Otan, que precisam ser conduzidos em território da aliança.

Lemos não revela um prazo específico para a certificação do pacote antidrone, mas afirma que a Embraer já recebe interesse do mercado. Parte importante do esforço, segundo ele, é simplesmente "demonstrar a capacidade e o quanto ela é eficaz". "Já estamos oferecendo a capacidade ao mercado", completou.

Fontes: FlightGlobal