Embraer trabalha para tornar Super Tucano capaz de abater drones
Fabricante trabalha com um operador atual do avião de ataque leve para certificar um pacote de combate a drones.
A Embraer está trabalhando com um de seus clientes atuais do A-29 Super Tucano para certificar uma capacidade contra drones (counter-UAS, do inglês counter-unmanned aircraft systems, ou seja, combate a sistemas aéreos não tripulados) no avião de ataque leve turboélice. A informação é de Frederico Lemos, diretor comercial da unidade de defesa da Embraer, em entrevista à FlightGlobal em 15 de setembro, durante a conferência anual da Air & Space Forces Association, realizada nos arredores de Washington.
"Estamos trabalhando com uma nação específica na integração dessa capacidade", disse Lemos, descrevendo o projeto como um esforço ativo e em andamento. Ele não revela o nome do país parceiro, mas confirma que se trata de um operador atual do Super Tucano.
O pacote faz parte de um plano mais amplo de modernização do A-29, que inclui um novo display de cockpit de grande área e um link de dados por vídeo, recursos que, segundo Lemos, vão ajudar na missão contra drones ao dar aos pilotos mais consciência situacional e melhor gestão de informação. Um tanque de combustível externo também deve aumentar o tempo de permanência em voo, outro fator importante em missões antidrone.
Em março, a Embraer fez uma parceria com a empresa americana Valkyrie Aero para incorporar um pacote de inteligência artificial ao Super Tucano, voltado especificamente para aplicações contra drones.
O A-29 já pode ser equipado com um sensor eletro-óptico de mira e com os foguetes guiados a laser de 70 mm APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), da BAE Systems, que se tornaram uma opção popular para abater drones e munições de ataque de uso único, graças ao baixo custo e à fácil disponibilidade. O turboélice monomotor também tem um custo de operação ultrabaixo, de aproximadamente 1.500 dólares por hora de voo, fator chave para a missão antidrone, que envolve abater um grande número de alvos lentos voando em altitudes relativamente baixas.
A lista de países que operam o A-29, seja como treinador seja como plataforma de ataque, inclui Brasil, Líbano, Portugal, Mauritânia, Angola, Nigéria, Burkina Faso, Chile, Paraguai, Equador, Uruguai, Filipinas, Indonésia, República Dominicana e Turcomenistão. Um pequeno número de Super Tucanos também é operado por pilotos de teste da Força Aérea dos Estados Unidos, para treinamento de parafuso e estol e para testar sistemas montados em pilones sob as asas.
Para a FlightGlobal, Portugal desponta como candidato provável a ser o parceiro não revelado da Embraer. A força aérea portuguesa foi a cliente de lançamento da configuração A-29N, padrão Otan, e o primeiro operador do Super Tucano na Europa. Um lote inicial de cinco A-29N foi entregue ao país em dezembro de 2025. Portugal também sedia a OGMA, empresa de manutenção majoritariamente controlada pela Embraer, para onde são enviadas aeronaves militares fabricadas pela Embraer, como o cargueiro-tanque KC-390, para modificações e testes exigidos por clientes da Otan, que precisam ser conduzidos em território da aliança.
Lemos não revela um prazo específico para a certificação do pacote antidrone, mas afirma que a Embraer já recebe interesse do mercado. Parte importante do esforço, segundo ele, é simplesmente "demonstrar a capacidade e o quanto ela é eficaz". "Já estamos oferecendo a capacidade ao mercado", completou.
Fontes: FlightGlobal