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Aviação· 12 de outubro de 2026

Cinco aviões que ajudam a contar os 100 anos da Delta

Do Travel Air S-6000-B ao Airbus A350, cinco modelos marcaram mudanças na operação da Delta.

Cinco aviões que ajudam a contar os 100 anos da Delta

Ao completar 100 anos em 2025, a Delta Air Lines reúne uma história de frota que vai de um pequeno avião para seis pessoas aos Airbus A350 usados na expansão pelo Pacífico. Entre os muitos tipos operados pela empresa, cinco ajudam a explicar como a companhia mudou suas missões, sua presença doméstica e sua estratégia de longo curso.

A seleção inclui o Travel Air S-6000-B, que abriu o serviço de passageiros da Delta; o Douglas DC-8, seu primeiro jato; o Lockheed L-1011 TriStar, seu principal widebody doméstico por décadas; o Boeing 757, ainda importante nas rotas domésticas; e o Airbus A350, ligado à atual expansão orgânica de voos de longo alcance.

O avião que abriu a porta aos passageiros

As origens da Delta podem ser rastreadas à Huff Daland Dusters, empresa fundada em 1925 e descrita como a primeira companhia de pulverização agrícola aérea do mundo. Em 1928, um grupo de investidores liderado por C.E. Woolman comprou os ativos da empresa e criou a Delta Air Services, nomeada em referência à região do delta do Mississippi.

O primeiro voo da nova companhia ligou Dallas a Jackson, com paradas em Shreveport e Monroe. A rota usou um Travel Air S-6000-B, aeronave para seis pessoas que era promovida como uma espécie de limusine aérea e inicialmente posicionada como avião particular.

A cabine totalmente fechada, o motor Wright Whirlwind de 300 cavalos de potência, o interior espaçoso e um lavatório próprio eram características destacadas no S-6000-B. A Delta adquiriu três unidades, mas operou o tipo somente até o fim de 1930. A permanência foi curta, mas o modelo lançou o serviço de passageiros da empresa.

Depois que um contrato de correio aéreo foi concedido a outra companhia, a Delta interrompeu os voos de passageiros, voltou à pulverização agrícola e passou a se chamar Delta Air Corporation. Os voos de passageiros retornaram em 1934, já sob o nome comercial Delta Air Lines, com o monoplano trimotor Stinson Model T. O nome da empresa foi oficialmente alterado em 1945.

O primeiro jato da Delta

Em meados dos anos 1950, a Delta já era uma participante importante do mercado doméstico dos Estados Unidos, embora não estivesse perto de ser a maior companhia do país. Nesse período, a Boeing vendia o 707, enquanto a Douglas lançou o rival DC-8.

A empresa sediada em Atlanta tinha uma longa experiência com aviões a hélice da Douglas. Quando a Eastern Air Lines cancelou seus primeiros espaços de entrega, a Delta conseguiu assumi-los rapidamente. Ao lado da United Airlines, a Delta foi operadora lançadora mundial do DC-8, e as duas iniciaram a operação do modelo no mesmo dia.

A Delta recebeu 22 exemplares da configuração original do DC-8. Todos tinham o mesmo comprimento de fuselagem, com pequenas alterações entre si. Em 1967, a companhia também começou a receber o DC-8-61, versão alongada e melhorada da série Super 60.

Os DC-8 originais saíram de operação em 1981. Entre 1982 e 1983, os DC-8-61 receberam motores CFM56 e passaram a ser chamados de DC-8-71. Embora a frota não tenha sido gigantesca, o DC-8 foi o primeiro jato da Delta e permaneceu em serviço até a aposentadoria do tipo, em 1989.

O widebody que ficou por 28 anos

O Boeing 747 é apontado pela fonte como o avião que revolucionou a aviação comercial ao permitir menor custo por assento e, por consequência, tarifas menores. Mas ele não foi o único widebody de sua época: o McDonnell Douglas DC-10 chegou logo depois, e o Lockheed L-1011 TriStar foi o terceiro widebody americano.

A Delta comprou alguns 747-100, mas preferiu de forma ampla o TriStar. Nas décadas de 1970 e 1980, companhias dos Estados Unidos usavam regularmente widebodies em voos domésticos mais curtos. A Delta se tornou a maior cliente do TriStar, acumulando 70 exemplares durante os 28 anos em que operou o modelo.

O L-1011 não foi a maior frota já operada pela Delta, mas foi presença constante em sua operação, e nenhum outro cliente usou tantos TriStars. A empresa retirou os 747-100 em 1977 e operou DC-10 por pouco tempo nos anos 1970, devido a atrasos envolvendo o L-1011.

Na metade dos anos 1980, a fusão com a Western Airlines trouxe nove DC-10, que foram rapidamente descartados. Já os L-1011 foram o principal widebody doméstico da Delta desde o começo dessa operação e mantiveram esse papel por décadas. A companhia também adquiriu 17 L-1011-500 de longo alcance, em sua maioria de segunda mão, e toda a frota serviu à Delta até 2001.

O 757 que ainda atende rotas domésticas

Sucessor do Boeing 727, o 757 atraiu muitas companhias aéreas, entre elas a Delta. O modelo foi lançado originalmente com o Rolls-Royce RB211, a primeira vez que um Boeing era lançado com motores que não eram dos Estados Unidos. A Pratt & Whitney ofereceu o PW2000 e prometeu à Delta metas ambiciosas de economia de combustível, inclusive com compensação caso elas não fossem cumpridas.

A Delta concordou em comprar 60 Boeing 757 e lançou o PW2000. Nos anos 1980 e no início dos anos 1990, os 757 foram usados principalmente em serviços domésticos, sua missão padrão naquele período. Quando o ETOPS se disseminou, a Delta passou a empregar o tipo sobre o Atlântico, mas essa nunca foi sua utilização principal.

Em 2008, a fusão com a Northwest Airlines acrescentou grande quantidade de 757-200 e uma pequena frota de 757-300. Com isso, a frota total de 757 chegou a quase 200 aeronaves.

Mesmo menor, essa frota faz da Delta a maior operadora mundial do 757, segundo a fonte. A empresa ainda usa o avião sobretudo em rotas-tronco domésticas de curta distância, incluindo destinos como Orlando e Las Vegas. A United Airlines é a única outra operadora de passageiros do 757 nos Estados Unidos, mas emprega o tipo principalmente em rotas transcontinentais e transatlânticas.

O A350 e o foco no Pacífico

O Airbus A350 é o tipo mais novo desta seleção e está na Delta há quase uma década. Para a fonte, ele representa, mais do que qualquer outro avião da frota atual, uma nova ênfase estratégica: o compromisso com crescimento orgânico de longo curso.

Historicamente, a Delta foi uma companhia doméstica. Grande parte de sua rede atual de longo alcance veio da compra, em 1991, da rede transatlântica da Pan Am. Desde então, a empresa se apoiou fortemente em parceiros de joint venture, Air France, KLM e Korean Air.

Tendências recentes do mercado nos Estados Unidos e novos termos no contrato dos pilotos levaram a Delta a se comprometer com mais voos de widebody, com foco especial na Ásia. O A350 é usado para o crescimento orgânico pelo Pacífico e marca uma tentativa, em grande escala, de ampliar essa rede por conta própria, algo que a fonte diz não ocorrer havia décadas nesse mercado.

Esse movimento também coloca a Delta em desafio à United Airlines na região, onde a fonte descreve a rival como líder de mercado sem contestação por décadas. O resultado da iniciativa ainda está em aberto, mas o A350 aparece como ferramenta central para a mudança de estratégia da Delta.

Fontes: Simple Flying