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Mercado· 15 de agosto de 2026

Celso Ferrer sai da GOL e assume comando da Boeing na América Latina

Após mais de 20 anos na GOL, Celso Ferrer deixa a presidência em 31/8 para comandar a Boeing na região a partir de 4/9; André Fehlauer assume o cargo.

Celso Ferrer sai da GOL e assume comando da Boeing na América Latina

Celso Ferrer, atual CEO da GOL Linhas Aéreas, deixa a presidência da companhia em 31 de agosto para assumir o comando da Boeing na América Latina e no Caribe a partir de 4 de setembro de 2026. A escolha da fabricante coloca um dos nomes mais experientes da aviação brasileira à frente da estratégia da empresa em um dos mercados mais importantes do setor, justamente no momento em que a GOL entra em uma nova fase sob o Grupo Abra.

Ferrer está há mais de 20 anos na GOL. Ingressou na companhia em 2004 como estagiário e, ao longo da carreira, ocupou posições de liderança nas áreas de operações e planejamento antes de assumir a presidência em 2022. Ele também é piloto certificado para os Boeing 737-700, 737-800 Next Generation e 737-8 MAX, modelos que formam a principal família de aeronaves comerciais da fabricante norte-americana.

Na Boeing, o executivo será responsável por fortalecer as operações, a estratégia e a presença da empresa na região, além de apoiar novas oportunidades de crescimento. Brendan Nelson, presidente da Boeing Global, afirmou que Ferrer reúne experiência, capacidade de liderança e conhecimento para lidar com as oportunidades e desafios apresentados pelo mercado latino-americano. Durante sua passagem pela GOL, ele esteve diretamente envolvido em decisões sobre operações, planejamento, frota, malha aérea e segurança operacional, bagagem que pesou na escolha da fabricante.

Ferrer sai da GOL depois de comandar uma das fases mais importantes da história recente da companhia. Sob sua gestão, a empresa passou por uma reestruturação financeira nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11, concluída em 2025, e iniciou uma nova etapa de expansão dentro do Grupo Abra. A GOL ampliou a atuação internacional, adotou o Aeroporto Internacional do Galeão como centro de conexões e passou a operar Airbus A330-900, aeronaves que permitem voos intercontinentais e já são usadas na ligação direta entre Rio de Janeiro e Nova York.

A chegada do A330neo marca uma mudança histórica para a companhia, que durante grande parte de sua trajetória manteve uma frota baseada exclusivamente em aeronaves Boeing 737. A GOL também deve incorporar os Embraer E195-E2 a partir de 2027, depois de o Grupo Abra anunciar uma encomenda de 45 aeronaves do modelo.

Enquanto Ferrer se prepara para deixar a companhia, a GOL já definiu seu sucessor. André Fehlauer assume como novo CEO em setembro, retornando à empresa após ter passado oito anos ligado à Smiles, empresa de fidelidade que fazia parte do grupo. Ele também comandou a Livelo e tem experiência anterior no setor financeiro, com passagens pelo Citi e pela Credicard, um perfil mais voltado a fidelização e relacionamento com clientes do que a operações, área de origem de Ferrer.

A estrutura de comando terá ainda uma segunda mudança. Albert Perez, atual diretor de Operações da GOL, passa a acumular a função de presidente e COO (diretor de operações), mantendo o foco na operação diária enquanto a empresa amplia as rotas domésticas e internacionais. Perez ingressou na GOL no início de 2024, depois de mais de duas décadas no setor de aviação, com passagens por Avianca, JetSMART e Vueling.

A movimentação reforça a importância do Brasil para a Boeing. Segundo a fabricante, o país responde por cerca de 40% do mercado de aviação comercial da América Latina e abriga a maior operadora de aeronaves Boeing da região, a própria GOL. A fabricante mantém presença no país desde 1932, quando entregou aeronaves ao Brasil, e hoje soma atividades de engenharia, tecnologia e relacionamento com fornecedores e instituições brasileiras.

Fontes: Cavok Brasil