Canadá escolhe GlobalEye e aposta em jato Bombardier para radar militar
Aeronave baseada no Global 6500 reunirá radar e sensores da Saab em um plano de produção doméstica.
O Departamento de Defesa Nacional do Canadá intermediou, em maio, um acordo de produção conjunta entre a Bombardier e a sueca Saab para construir a próxima geração de aeronaves de alerta aéreo antecipado e controle da Força Aérea Real Canadense. A escolha foi pelo GlobalEye, plataforma que combina o jato executivo Bombardier Global 6500, fabricado no país, com radar, sensores e recursos de comando e controle da Saab.
A decisão coloca uma aeronave originalmente voltada à aviação executiva no centro de uma missão de vigilância. O GlobalEye usará o radar Erieye Extended Range da Saab e uma suíte avançada de sensores, além de recursos de comando e controle em múltiplos domínios. Em termos simples, trata-se de uma aeronave projetada para detectar e acompanhar alvos e levar essas informações, em tempo real, aos comandos militares.
Segundo a fonte, o sistema sueco foi escolhido em vez do Boeing E-7 Wedgetail, após pressão de Washington pela compra da opção norte-americana. O texto afirma que o E-7 tem preço unitário acima de US$ 724 milhões antes de treinamento e sustentação de longo prazo, enquanto o GlobalEye é citado na faixa de US$ 350 milhões a US$ 500 milhões por aeronave. Com isso, a Força Aérea Real Canadense planeja uma frota total de seis aeronaves.
A aposta canadense também está ligada à fabricação local. O Global 6500 é montado em Toronto e finalizado em Montreal. Pelo acordo preliminar assinado com o governo canadense, as futuras aeronaves deverão ser construídas e receber adaptações militares dentro do país. A Bombardier Defense negocia liderar esse programa de modificação com orientação da Saab.
O governo de Mark Carney busca elevar a parcela dos gastos militares destinada a fornecedores domésticos de cerca de 30% do orçamento total para 70% até 2035. O Departamento de Defesa Nacional também mira uma alocação contratual doméstica de 70% em seu plano de compras para a próxima década. A escolha do GlobalEye é apresentada pela fonte como parte dessa prioridade por investimento aeroespacial canadense e por desempenho de custos.
A política canadense de Benefícios Industriais e Tecnológicos prevê que ao menos um terço da produção do GlobalEye nos próximos 15 anos possa ser fabricado no Canadá, incluindo uma possível participação de encomendas feitas por aliados estrangeiros. Éric Martel, diretor-executivo da Bombardier, busca uma parcela maior do fluxo de fabricação. A empresa já entrou em negociações avançadas com a Saab para localizar a montagem e começou a procurar locais domésticos para uma instalação dedicada às modificações militares.
A fonte projeta que o programa poderá apoiar cerca de 3 mil empregos qualificados em Quebec e Ontário. Ela também afirma que operar uma aeronave baseada em uma plataforma doméstica permitirá à Força Aérea Real Canadense administrar peças de reposição, revisões de componentes e suporte de longo prazo sem depender de empresas de defesa dos Estados Unidos.
Há uma razão operacional para a escolha descrita no texto: o Canadá depende de uma rede descentralizada de pequenos aeródromos, locais avançados de operação remotos no Ártico e bases em províncias rurais. Com alta relação empuxo-peso e aerodinâmica avançada de asa, o GlobalEye baseado no Global 6500 é apontado como capaz de decolar e pousar em pistas mais curtas e menos preparadas, inclusive sob frio extremo.
O jato é equipado com motores Rolls-Royce Pearl, que, segundo a fonte, reduzem o uso de combustível em 13% em comparação com jatos mais antigos de sua categoria. O Global 6500 pode voar por 12 horas sem reabastecimento e cobrir 6.600 milhas náuticas, ou 12.200 km, de acordo com o texto. A fonte contrapõe essa eficiência ao Wedgetail baseado no Boeing 737, que consome mais combustível.
O radar Erieye ER é um radar de varredura eletrônica ativa em banda S, instalado em uma carenagem dorsal de 33 pés, ou 10 metros. Com módulos de transmissão e recepção de nitreto de gálio, o sensor tem alcance de rastreamento de 350 milhas náuticas, ou 650 km, conforme a fonte. O sistema é descrito como capaz de fornecer telemetria aérea, marítima e terrestre em tempo real aos comandantes.
O texto reconhece que a integração de longo prazo do GlobalEye às redes do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, o NORAD, ainda não foi comprovada. Ao mesmo tempo, afirma que mais aeronaves deverão operar na Europa em breve, integradas às forças conjuntas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN.
Em julho de 2026, a OTAN selecionou oficialmente o Saab GlobalEye para substituir integralmente sua frota multinacional envelhecida de aeronaves Boeing E-3 Sentry AWACS. A seleção prevê até dez aeronaves compartilhadas entre 11 países aliados. A Força Aérea e Espacial Francesa também planeja comprar duas unidades, enquanto a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos opera cinco GlobalEye há mais de seis anos.
Para o Canadá, a decisão une a substituição de uma capacidade de vigilância aérea à tentativa de reter fabricação, manutenção e conhecimento técnico no país. O GlobalEye ainda não foi entregue nem voou em capacidade de espaço aéreo norte-americano para o Canadá, mas a fonte sustenta que a plataforma atende à missão moderna e duradoura do NORAD de defender as aproximações ao norte da América do Norte.
Fontes: Simple Flying