Bug no software de navegação atrasa Boeing 737 Max 10 e afeta outros jatos
A FAA vai segurar a certificação do 737 Max 10 até garantir que a falha de software no VNAV, que também afeta o Max 7, é segura.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) informou, em 28 de setembro, que vai segurar a certificação do Boeing 737 Max 10 até garantir que uma falha de software recém-divulgada não compromete a segurança do avião. O problema atinge o sistema de navegação vertical (VNAV) — que orienta o avião durante subidas e descidas automáticas — e também afeta o 737 Max 7 (já certificado, mas ainda sem entregas), além de um número não divulgado de aviões já em operação.
"Ainda não concluímos se isso é uma questão de segurança de voo ou não, mas vamos atrasar o Max 10 até estarmos satisfeitos de que não há um problema", disse Bedford a jornalistas, sem detalhar um novo prazo para a certificação. A Boeing pretendia obter o aval da FAA para o Max 10 ainda este ano.
Em nota, a Boeing disse: "Continuamos seguindo a orientação da FAA enquanto avançamos no processo de certificação". Já a GE Aerospace, que desenvolveu o software com o problema e trabalha numa correção, afirmou: "A segurança é nossa prioridade máxima. Estamos trabalhando de perto com a Boeing e vamos apoiar a avaliação da FAA".
A revelação veio a público depois que o Wall Street Journal informou, em 26 de setembro, que a Boeing sabe desde 2024 de uma falha no VNAV de alguns 737 Max já em operação. Várias companhias aéreas americanas dizem não ter jatos afetados em suas frotas. "Os aviões são seguros... Nem todo software é perfeito", disse Bedford.
As variantes 737 Max 7 e Max 10 também têm o mesmo problema no software, menos de dois meses depois de a FAA certificar o Max 7. A Boeing planeja começar a entregar tanto o Max 7 quanto o Max 10 no próximo ano, e não está claro se isso vai atrasar o cronograma. O Max 10 é a última variante da família de jatos de corredor único da Boeing.
A Boeing confirmou a reportagem do Wall Street Journal e disse ter avisado os operadores do 737 em agosto sobre "um problema de software em que os pilotos podem não ter acesso à orientação automática de voo em um cenário específico de pouso". A fabricante diz ter reforçado os procedimentos existentes para lidar com esses casos e afirma que seus engenheiros trabalham numa atualização de software para resolver o problema.
Segundo Bedford, o problema está numa atualização do software de gerenciamento de voo da GE Aerospace: uma correção do VNAV que acabou introduzindo um novo bug, com risco de o avião ficar sem orientação de navegação vertical em alguns cenários. A falha aparece durante arremetidas — quando o piloto interrompe uma aproximação de pouso e sobe novamente. A Boeing explica que, nesses casos, o sistema pode fazer a transição para "um nível mais simples de automação no controle de arfagem" (a inclinação do nariz do avião), mas reforça que "todos os pilotos são treinados para pousar o avião com segurança sem" o VNAV. A Boeing prepara, com as companhias aéreas, um procedimento para reativar o sistema.
A FAA diz que "a segurança dita o cronograma de certificação" e que não vai hesitar em agir, se necessário, enquanto investiga a falha. A agência também convocou um "Corrective Action Review Board" (Conselho de Revisão de Ação Corretiva) para avaliar a resposta ao problema, segundo publicação na rede interna de notícias da Boeing.
A Associação de Pilotos Aliados (APA), que representa os pilotos da American Airlines, considera correta a decisão da FAA de atrasar a aprovação do Max 10. "Elogiamos o administrador Bedford por garantir que os pilotos vão ter um sistema totalmente funcional, não uma solução paliativa", disse o representante da APA, Dennis Tajer.
O VNAV ajuda os pilotos na subida durante uma arremetida, indicando o momento de recolher os flaps (as superfícies que aumentam a sustentação nas asas) conforme o avião acelera. Tajer compara o sistema ao técnico de um time: "É o treinador do time, e ele diz: é para aqui que estamos indo". Uma falha nesse momento pode surpreender os pilotos numa fase crítica do voo, a baixa altitude e com a tripulação ocupada — "não é uma emergência, mas também não é o ideal", afirmou.
Tajer diz que o problema do VNAV é bem menos preocupante que outras questões enfrentadas pelo Max no passado, como uma falha num dispositivo do motor chamado "load reduction device" (dispositivo de redução de carga), que pode encher a cabine de comando de fumaça. Ele acredita, porém, que os pilotos deveriam ter sido informados do problema bem antes, para estarem mais preparados.
Bedford afirma que a revisão da FAA sobre o problema do VNAV envolve principalmente entender o "componente de carga de trabalho" — ou seja, como os pilotos vão reagir à falha. American Airlines e United Airlines disseram à FlightGlobal que não têm nenhum 737 Max com a versão problemática do software em suas frotas; o mesmo vale para a Southwest Airlines, segundo o Wall Street Journal.
Fontes: FlightGlobal