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Aviação· 29 de setembro de 2026

Boeing 777-8 promete ir 1.375 milhas náuticas além do 777-300ER

Dados de especificação mostram por que o menor 777X tem alcance superior ao 777-9.

Boeing 777-8 promete ir 1.375 milhas náuticas além do 777-300ER

O Boeing 777-8, versão menor da futura família 777X, é esperado com alcance de 8.745 milhas náuticas, ou 16.190 km, segundo especificações da Boeing citadas pelo Simple Flying. Isso o coloca 1.375 milhas náuticas, ou 2.546 km, além do Boeing 777-300ER em uma configuração semelhante, com capacidade para três passageiros adicionais. A entrada do 777X em serviço comercial, antes prevista para 2020, agora não é esperada antes de 2027.

A comparação ajuda a explicar uma curiosidade da nova família: o 777-9, maior que o 777-8, tem alcance previsto menor, de 7.285 milhas náuticas, ou 13.500 km. Não se trata, portanto, de uma simples regra em que uma aeronave maior voa sempre mais longe. Nesse caso, as duas versões têm a mesma envergadura e, por isso, a mesma capacidade de combustível nas asas, enquanto o 777-9 é maior e mais pesado.

O resultado é uma penalidade de alcance para o 777-9. Combustível costuma ser armazenado nas asas, salvo quando há tanques adicionais na fuselagem. Como o 777-9 leva uma estrutura maior usando a mesma capacidade de combustível do 777-8, a distância prevista para a versão maior fica abaixo da de sua irmã menor.

O 777X é a atualização da linha Boeing 777 e sucede o 777-300ER, descrito pela fonte como a variante mais popular da geração anterior. O 777-300ER se destacou por oferecer a melhor combinação de capacidade e economia operacional entre as variantes mencionadas, mas não era o 777 de maior alcance. Esse posto ficava com o Boeing 777-200LR, menor, com alcance técnico de 8.555 milhas náuticas e capacidade para 317 passageiros em duas classes.

O 777-200LR, porém, não recebeu tantos pedidos porque não era tão eficiente em combustível. A fonte também ressalta que o alcance real de uma aeronave pode variar entre companhias aéreas e até dentro de uma mesma empresa. Configuração de cabine e capacidade influenciam esse resultado.

Em missões de ultralonga distância, por exemplo, a quantidade de passageiros pode ser reduzida e parte considerável do espaço pode ser destinada a áreas de descanso da tripulação. Essas instalações são obrigatórias nessas operações, ocupam espaço, mas reduzem o peso da aeronave e podem aumentar seu alcance. É por isso que a ficha técnica é uma referência importante, mas não substitui as escolhas operacionais de cada companhia aérea.

Mesmo com o 777-8 mais próximo do 777-300ER em suas especificações, a maior parte dos pedidos do 777X é para o 777-9, segundo a fonte. A família foi concebida para entregar mais capacidade, alcance e melhor economia operacional em relação ao 777-300ER. A diferença entre suas duas versões de passageiros mostra que capacidade e distância precisam ser equilibradas conforme o perfil pretendido para a aeronave.

A nova geração mantém a fuselagem de liga de alumínio usada na geração anterior do 777, embora tenha sido lançada depois do Boeing 787 Dreamliner, que utiliza fuselagem de materiais compostos avançados. As asas do 777X, por outro lado, são feitas de materiais compostos, apontados como mais leves e com melhor relação entre resistência e peso do que as asas tradicionais de seus antecessores.

Outro elemento do projeto é a ponta de asa dobrável. Antes da decolagem, o 777X abre as pontas das asas; após o pouso, elas são recolhidas. A solução permite que o jato mantenha, no solo, uma envergadura semelhante à dos Boeing 777-300 e acesse os aeroportos que já recebem esse modelo, enquanto aproveita uma envergadura maior em voo.

Segundo a fonte, a maior envergadura em voo melhora a sustentação e o desempenho em todas as fases do voo. A combinação contribui para eficiência operacional, menor consumo de combustível e maior alcance. As asas atualizadas trabalham junto de dois novos motores no objetivo de permitir operações de longa distância.

O motor desenvolvido para o 777X é o GE9X, da GE Aerospace. A fonte o descreve como o maior motor a jato projetado, com diâmetro superior ao da fuselagem de um Boeing 737. Os motores maiores entregariam mais empuxo e permitiriam que a aeronave operasse com peso máximo de decolagem de 805 mil libras. MTOW, na sigla em inglês, é o peso máximo que o avião pode ter na decolagem.

Esse valor é ligeiramente superior às 775 mil libras de MTOW atribuídas ao GE90 nos 777-300ER. A fonte também afirma que o GE9X tem o maior empuxo entre os motores de aeronaves comerciais e supera a capacidade de entrega de potência dos Trent XWB, da Rolls-Royce, usados no Airbus A350.

A Boeing promove o 777-9 com consumo de combustível e emissões nocivas 20% menores, além de uma pegada de ruído 40% menor que a das aeronaves que ele substituirá. Considerando apenas o motor, dados da GE indicam que o GE9X deve oferecer eficiência de combustível 10% melhor que o GE90 usado nos 777-300ER.

A família também ganhou uma versão cargueira em 2022: o Boeing 777-8F. Ele foi lançado como cargueiro de nova geração e substituto do Boeing 777F, que é baseado no 777-200LR. O 777-8F poderá transportar mais 10 toneladas, mas o 777F, menor, consegue voar 560 milhas náuticas, ou 1.037 km, mais longe.

Fontes: Simple Flying