Azul é processada por cortar transporte grátis a tripulantes à noite
SNA foi à Justiça do Trabalho para que a Azul restabeleça o transporte gratuito a tripulantes que embarcam ou desembarcam de madrugada.
O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) entrou com uma ação civil pública na Justiça do Trabalho contra a Azul Linhas Aéreas. O pedido é que a empresa restabeleça o chamado "Apanha", serviço de transporte noturno gratuito oferecido aos tripulantes que iniciam ou encerram a jornada durante a madrugada.
O benefício levava e buscava tripulantes que iniciam ou encerram a jornada durante a madrugada. Em julho de 2025, a Azul anunciou o fim do serviço. No lugar, passou a pagar um valor fixo de R$ 25,00 por trecho, classificado como "verba mobilidade".
Após a intervenção do SNA, esse valor foi reajustado para R$ 31,25 no final de agosto. Para o sindicato, a quantia continua muito abaixo do custo real de um deslocamento noturno. Segundo estudos internos citados na ação, uma corrida de aplicativo de casa até o aeroporto pode ultrapassar R$ 60,00 e, em alguns casos, passar de R$ 100,00.
O que o sindicato alega
O SNA sustenta que a mudança foi decidida de forma unilateral, sem negociação prévia com a categoria, e que transferiu aos trabalhadores um custo que sempre foi da empresa. Para o sindicato, o "Apanha" já fazia parte do contrato de trabalho por se tratar de uma prática reiterada, e sua retirada sem acordo violaria o artigo 468 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) — que trata da proibição de alterar unilateralmente condições de trabalho em prejuízo do empregado — além de jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Na ação, o SNA pede tutela de urgência, ou seja, uma decisão judicial imediata, para que a Azul restabeleça o transporte noturno gratuito nas mesmas condições anteriores, sob pena de multa diária por tripulante prejudicado. O sindicato também pede indenização de R$ 200 mil por dano moral coletivo, valor destinado a reparar um prejuízo que atingiria toda a categoria, e não um trabalhador isoladamente.
O que está em jogo
O caso discute, no fundo, quem paga pelo deslocamento de tripulantes em horários sem transporte público regular. Enquanto a Azul argumenta com o novo modelo de reembolso fixo, o SNA defende que o valor não cobre o custo real da viagem e que a mudança prejudica quem trabalha de madrugada. A Azul não se manifestou sobre a ação nas fontes consultadas pela reportagem.
Fontes: AEROIN